Ofensiva jihadista no Iraque

Uma ONG acusa os jihadistas de execuções em massa no Iraque

A Human Rights Watch confirma dois extermínios de ao menos 190 pessoas no total

Execuções do EIIL em Tikrit (Iraque) difundidas pela Internet em 14 de junho.
Execuções do EIIL em Tikrit (Iraque) difundidas pela Internet em 14 de junho.

A ONG Human Rights Watch (HRW) anunciou nesta sexta-feira que os jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) mataram entre 160 e 190 homens em dois lugares de Tikrit, a 180 quilômetros de Bagdá. A ONG norte-americana divulgou a confirmação depois de analisar, em profundidade, as fotografias que o próprio grupo terrorista, que há três semanas avança em direção ao sul do país, difundiu nas redes sociais.

A HRW disse através de um comunicado que "a análise das fotografias dá fortes indícios de que o EIIL realizou execuções em massa em Tikrit [cidade-natal do ex-ditador Saddam Hussein] depois de tomar o controle da cidade em 11 de junho passado".

O massacre de quase duzentos homens pode ter acontecido, segundo a ONG, em pelo menos dois lugares entre os dias 11 e 14. "O número [de mortos] poderia ser maior", indica a HRW acrescentando que a dificuldade de localizar os corpos e de ter acesso à área impede uma investigação completa.

Depois de tomar a cidade ao norte de Bagdá, os extremistas sunitas difundiram fotografias e vídeos de supostas execuções massivas dizendo que tinham matados 1.700 soldados do exército iraquiano. Naquele momento, fontes militares garantiram a autenticidade das fotografias difundidas pela Associated Press. Mas a ONU se apressou a denunciar que o EIIL havia cometido crimes de guerra por "uma série de execuções sistemáticas e a sangue frio" de centenas de soldados capturados e de civis em Tikrit.

Partindo da análise das imagens e comparando com fotografias do mesmo lugar em 2013, a Human Rights Watch chegou à conclusão de que duas delas foram feitas no mesmo lugar, em um campo localizado a 100 metros ao norte do antigo palácio de Saddam Hussein, perto do rio Tigre. Um comando do Exército afirmou que pelo menos 11 corpos foram recuperados, segundo o jornal norte-americano New York Times.

Também foram revisadas as imagens de satélite dessa zona no último dia 16 de junho, mas não foram encontradas provas dos cadáveres, apenas de certos movimentos na terra, inclusive o rastro de alguns veículos.

A HRW conseguiu falar com um vizinho, que foi testemunha das execuções do telhado de sua casa. "Vi com meus próprios olhos. Foi à tarde. Havia uma fila longa. Consegui ver uns 10 milicianos apontando com seus rifles para uma longa fila de homens que saíam dos caminhões. Alguns usavam máscaras e outros tinham o rosto descoberto. Os sequestrados usavam roupas civis." Esse vizinho de Tikrit, segundo narra a ONG, deixou a cidade pouco depois das execuções.

No último dia 22, o governo do xiita Nuri al Maliki reconheceu que os corpos sem vida de alguns dos 175 recrutas que tinham sido assassinados foram lançados no Tigre e outros enterrados em uma fossa comum.

Não é a primeira vez que Human Rights Watch aponta sérios crimes cometidos pelo EIIL no Iraque e na Síria, territórios nos quais o grupo jihadista sunita é mais ativo.

O diretor de Emergências da HRW, Peter Bouckaert, afirmou que o EIIL está cometendo e divulgando assassinatos em massa que poderiam ser considerados crimes contra a humanidade "Essas e outras forças abusivas [em referência ao terrorismo jihadista] deveriam saber que estão sendo observados pelos olhos dos iraquianos e do mundo ", acrescentou.