COPA DO MUNDO 2014 | COSTA RICA

Os ‘ticos’ da Costa Rica, entre a euforia e a incredulidade

Muitos torcedores limitaram os pacotes aos jogos da primeira fase e já estão retornando ao país, ainda em meio à alegria pela improvável classificação como líder do “grupo da morte”

Torcedores costa-riquenhos no saguão do hotel da seleção.
Torcedores costa-riquenhos no saguão do hotel da seleção.Frederico Rosas

Uma nuvem de euforia paira sobre o Estado de São Paulo, mais precisamente sobre a cidade litorânea de Santos, escolhida pela Costa Rica para servir de quartel-general na Copa do Mundo. Orgulhosos de sua façanha no torneio, os ´ticos’ –como são conhecidos os costa-riquenhos– desfilam com camisas da seleção e bandeiras pelas ruas. Mas o feito do país colocou mesmo à prova a fé dos mais fanáticos, tanto que muitos limitaram os pacotes apenas aos jogos da primeira fase e já estão retornando antes mesmo das oitavas de final à terra natal.

“Estamos em cerca de 250 pessoas no hotel. Apenas umas 30 poderão ficar (para as oitavas). Muitos fizeram os pacotes de viagem com os ingressos pensando que a Costa Rica retornaria no fim da primeira fase, e estavam pensando até que seria no mesmo avião da seleção”, antecipava o dentista Juven Solano, de 39 anos, vestindo o uniforme costa-riquenho nos arredores do hotel que hospeda a delegação dos ‘ticos’, localizado a cerca de 400 metros da praia.

Assim como Solano, o administrador de empresas Eduardo Ramírez, de 62 anos, e a sua esposa, a dona de casa Ligia Matamoros, retornariam nesta semana à Costa Rica. “A festa é muito grande, mas temos que voltar. Vários ainda querem ficar, incluindo o meu filho que está no Recife (Nordeste brasileiro) com um outro grupo”, diz Matamoros. “A campanha é surpreendente, as pessoas nos saúdam nas ruas, nos carros. Fomos convidados a ir a um restaurante ver o jogo do Brasil e queriam que não pagássemos a conta”, completa Ramírez.

“Viemos preparados para as três partidas do grupo. Sou advogado e tenho julgamentos por lá”, afirmava, por sua vez, Leonel Villalobos, de 61 anos. “Só os mais otimistas como eu apostávamos na classificação, mas não de forma tão antecipada. Os ´ticos´ superaram todas as expectativas”, emenda. Junto com o também advogado Francisco Campos Bautista, de 44 anos, ele escolhia camisas do Brasil para comprar em uma loja de souvenir.

“Também tenho que voltar. Mas estamos chegando ao período de férias de meio de ano e muitos vão querer vir para cá. Dependendo de como estiver a seleção, os novos grupos ainda tentarão assistir aos jogos. E certamente serão muito bem recebidos”, previa Bautista.

Em uma façanha das mais improváveis, a seleção centro-americana se classificou para as oitavas de final do Mundial como líder na chave D, o chamado “grupo da morte”, que reuniu nada menos que outros três campeões mundiais: a Itália, o Uruguai e a Inglaterra. Entrou em campo para o empate com os ingleses (1 x 1) na última terça-feira já com a vaga garantida, após superar os uruguaios por 3 x 1 na estreia e os italianos no jogo seguinte por 1 x 0.

“Eu realmente acho que estamos fazendo história. Diziam que éramos o patinho feio do grupo e aí estamos. Primeiro veio o Uruguai, e nunca imaginaríamos o placar final do jeito que foi. Aí foi a vez da Itália. Pensamos: ‘empata, perde por 1 x 0, não importa’. Aí fizemos o gol e não passamos só a nos defender, seguimos pressionando”, relatava o dentista Solano, que a julgar pelo entusiasmo na descrição não esquecerá tão cedo as experiências vividas no Brasil.

Agora, os costa-riquenhos medem forças contra a Grécia nas oitavas, no próximo domingo, na Arena Pernambuco (Nordeste), em busca de uma vaga inédita para o país centro-americano nas quartas de um Mundial. Alguém ainda duvida dos ‘ticos’?

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