A mulher condenada por ser cristã é presa ao tentar deixar o Sudão

Os agentes interceptaram a mulher de 27 anos no aeroporto de Cartum, depois de ser libertada pela Corte do país

Uma foto de Meriam em seu casamento, colocada no Facebook por um familiar.
Uma foto de Meriam em seu casamento, colocada no Facebook por um familiar.

As autoridades do Sudão prenderam nesta terça-feira Meriam Yahia Ibrahim Ishag, a mulher condenada à morte por converter-se ao cristianismo e que ficou em liberdade nesta mesma segunda-feira. Os agentes interceptaram a mulher de 27 anos no aeroporto de Cartum, quando o casal e seus dois filhos tentavam deixar o país, segundo explicaram fontes policiais. Conforme um familiar, foi obra de "Segurança Nacional". A prisão aconteceu um dia após um tribunal sudanês ordenar que fosse colocada em liberdade imediatamente, depois de cancelar a sentença que a faria morrer na forca em 15 de maio, por supostamente renunciar à fé muçulmana.

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O advogado do caso, Mohamed Ibrahim, explicou que a Corte aceitou seu recurso contra a pena de morte. Porque, segundo explicou a mulher, de pai muçulmano e mãe cristã, ela nunca foi adepta do islã, já que fora educada por sua mãe. Embora a tradição islâmica designe que os filhos de homens muçulmanos automaticamente também sejam seguidores desta religião.

Além disso, um juiz também a condenou por adultério, já que declarou nulo seu casamento em 2011 com Daniel Wani. As leis da sharia (lei islâmica) não permitem que uma mulher muçulmana se case com um cristão.

A Anistia Internacional alertou para a situação de Ibrahim, presa depois de ser denunciada por um familiar que a acusou de se casar com um homem cristão. Encarcerada em agosto de 2013 com seu filho de ano e meio, durante sua prisão deu a luz ao seu segundo bebê. Nesse momento, a Justiça do Sudão concedeu-lhe um adiamento de dois anos na execução da pena para que pudesse amamentar o bebê.

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