O ex-chefe de Comunicação de Cameron é condenado pelo caso ‘News of the World’

O júri absolve Rebekah Brooks, a ex-diretora do tabloide dominical

Andy Coulson e Rebekah Brooks, em uma imagem de arquivo.
Andy Coulson e Rebekah Brooks, em uma imagem de arquivo.LEON NEAL (AFP)

Andy Coulson, ex-diretor de comunicações do atual primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi declarado culpado de conspiração para grampear telefones de figuras públicas durante sua gestão como diretor do extinto tabloide dominical News of the World. Por outro lado, Rebekah Brooks, ex-braço-direito do magnata da imprensa Rupert Murdoch e uma entre os sete réus do processo, foi inocentada.

Enquanto o júri continua deliberando sobre outras duas acusações contra Coulson relacionadas ao suborno de funcionários públicos para obter informação, a notícia sobre a primeira sentença que poderá enviá-lo à prisão caiu como uma bomba nos círculos políticos. Cameron já confirmou, por intermédio de um porta-voz de Downing Street, que cumprirá sua promessa, feita após a acusação formal a seu ex-assessor, de se desculpar publicamente se ele fosse considerado culpado após o processo judicial.

Uma Rebekah Brooks à beira das lágrimas deixou o tribunal assim que foi confirmada sua absolvição das acusações de estimular escutas telefônicas ilegais durante a época em que dirigia o tabloide (2000-2006), de aprovar subornos a funcionários do Ministério de Defesa e de sonegar informação aos investigadores policiais. Seu marido, o treinador de turfe Charlie Brooks, e o chefe de segurança do grupo News International (proprietário do extinto jornal), Mark Hann, também foram declarados inocentes desta última acusação.

O desenlace do julgamento deixa o primeiro-ministro em posição delicada, já que foi ele quem contratou Coulson, de 45 anos, apesar de ele ter sido previamente demitido do News of the World por causa da condenação de um de seus jornalistas e de um detetive particular num caso de escutas ilegais. Isso havia salientado as fluentes relações que Cameron mantinha com o empresário de origem australiana Rupert Murdoch, proprietário do jornal dominical mais lido do Reino Unido até seu fechamento, três anos atrás.

O escândalo dos grampos telefônicos resultou não só na desativação de um título com 168 anos de existência como também forçou o magnata a abandonar uma bilionária proposta para adquirir a totalidade das ações da plataforma digital BSkyB, como parte de um recuo completo em suas ambições expansionistas no Reino Unido. Paralelamente, o Governo decidiu estabelecer uma comissão investigativa independente, presidida pelo juiz Brian Leveson, cujas conclusões aconselharam uma autorregulamentação dos meios de comunicação, o que dividiu o setor.

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