A polícia do Rio investiga o uso de armas de fogo no Maracanã

Dois oficiais estão sendo investigados por usar armas de fogo nas manifestações anti-Copa

Homem armado que se identificou como policial discute com jornalista.
Homem armado que se identificou como policial discute com jornalista.Silvia Izquierdo (AP)

A polícia do Rio de Janeiro garantiu hoje que investiga dois oficiais flagrados em vários vídeos (entre eles, um da Associated Press) enquanto usavam armas de fogo com munição letal para dissolver as manifestações anti-Copa organizadas nas imediações do estádio do Maracanã durante o jogo entre Argentina e Bósnia, no domingo à noite. A polícia não negou as acusações sobre o uso de projéteis letais observados nas imagens, mas, horas depois, acusou por meio de sua assessoria de imprensa, os manifestantes de terem lançado previamente coquetéis molotov contra as tropas policiais. Um dos oficiais flagrados é um agente do Batalhão de Choque da Polícia Militar, responsável pelo controle de multidões e de protestos e que lançou bombas de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha nos atos que acontecem desde o início da Copa. O segundo oficial, vestido à paisana, foi identificado como um inspetor da Polícia Civil.

“O oficial de polícia do Batalhão de Choque que aparece com uma arma letal em imagens publicadas na Internet se apresentou voluntariamente ao comandante de sua unidade”, afirmou a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro em um comunicado. A declaração garantia também que o oficial será investigado pela unidade de assuntos internos e, enquanto isso, não participará da repressão a nenhum protesto. Ainda não se sabe se o segundo agente, o inspetor Luiz do Amaral, estava camuflado nas manifestações para vigiar os ativistas ou se encontrou com eles fora do seu horário de trabalho e disparou para cima para tentar dispersar o protesto. Os fatos aconteceram uma hora antes do início da partida no bairro residencial da Tijuca, a cerca de dois quilômetros do estádio, em um dos múltiplos cordões montados pela polícia para impedir o acesso de manifestantes ao recinto. O gigantesco aparato de segurança durante todo o dia no bairro do Maracanã impressionou os torcedores argentinos e os próprios jornalistas credenciados.

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Os manifestantes protestavam contra o que consideram um gasto excessivo, mal dirigido e corrupto de fundos públicos na organização da Copa do Mundo, alinhados com as revoltas ocorridas no país de um ano para cá. Nos últimos doze meses, 183 jornalistas foram agredidos nessas manifestações, 80% deles pela Polícia Militar, apesar de estarem devidamente identificados, segundo denuncia a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI).

Nos últimos meses aconteceram centenas de manifestações nas principais cidades brasileiras, apesar de o tamanho dos atos ter diminuído consideravelmente em comparação a 2013. As revoltas aumentaram seu caráter violento devido à frequente presença de ativistas mascarados que seguem a tática de protesto ‘Black Bloc’. Várias vidraças de agências bancárias foram destruídas pelos manifestantes em zonas vizinhas ao estádio. Por outro lado, a repórter do diário O Globo Vera Araújo foi presa no domingo por um sargento da Polícia Militar quando filmava no bairro de Boa Vista a detenção de um torcedor argentino que havia urinado na rua.

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