O Príncipe promete servir a uma Espanha “unida e diversa”

Dom Felipe pronuncia o seu primeiro discurso após a abdicação do seu pai durante a entrega do prêmio Príncipe de Viana da Cultura

(atlas)

O Príncipe se dirigiu nesta quarta-feira aos espanhóis pela primeira vez desde que o seu pai anunciou na segunda-feira que cederá o trono a ele. Acompanhado pela dona Letizia, ele aproveitou a entrega do prêmio Príncipe de Viana da Cultura, no mosteiro de Leyre (Navarra), para falar ao povo.

Estava muito emocionado e os olhos se encheram de lágrimas quando se levantou para ler o seu discurso, recebendo um longo aplauso do público em pé: “Permitam-me que respeite o procedimento parlamentar iniciado e me limite a reiterar o meu compromisso e a convicção de dedicar todas as minhas forças, com esperança e expectativa, à emocionante tarefa de continuar a servir aos espanhóis, à nossa querida Espanha, a uma nação, a uma comunidade social e política unida e diversificada que tem nas suas raízes uma história milenar”, disse ele.

A duas semanas de ser proclamado rei, dom Felipe também quis fazer um apelo à unidade. “Em tempos de dificuldade como os que atravessamos, a experiência do passado plasmada na história nos ensina que só unindo os nossos esforços, colocando o bem comum à frente dos interesses particulares e promovendo a iniciativa, a pesquisa e a criatividade de cada pessoa, conseguiremos avançar em direção a melhores cenários. Esse é o caminho que todos, responsáveis institucionais, agentes sociais e econômicos, entidades e cidadãos, devemos ter para enfrentar de forma decisiva o futuro e ampliar o campo de esperança que se abre diante de nós”.

O Príncipe também fez uma menção à sua filha, infanta Leonor, que assumirá todos os títulos do pai quando o Rei assinar a lei de abdicação: Princesa de Astúrias, de Girona, e como lembrou dom Felipe nesta quarta-feira, também de Viana.

Os Príncipes foram bastante carinhosos com o premiado, o historiador capuchinho Tarsicio de Azcona, de 91 anos, autor de uma reconhecida biografia de Isabel, a Católica. “Em linha com a alta consideração com a história que este prêmio implica, pode-se afirmar que um melhor conhecimento do passado contribui para que as sociedades avancem com passo firme em direção ao futuro, do mesmo modo que as árvores precisam de raízes resistentes na terra para poder crescer com mais força”, garantiu o futuro rei Felipe VI.

O frade capuchinho agradeceu aos Príncipes pelo fato de que, prestes a se tornarem Reis, viajaram a Navarra para entregar o prêmio a ele: “Desejo aos senhores o maior sucesso na sua difícil e honrada tarefa”, disse. Azcona terminou o seu discurso com a expressão “Upa, Navarra!”.

A presidente da região autônoma, Yolanda Barcina, também não perdeu a oportunidade de se dirigir aos próximos Reis. “Desejo de coração a máxima confiança, coragem e temperança para que a monarquia volte a contribuir para fortalecer a convivência, o bem-estar e o progresso dos espanhóis. Enfrentamos uma época histórica repleta de importantes desafios sociais, políticos e econômicos na qual a estabilidade das instituições é fundamental. O trabalho em comum, o diálogo e a estabilidade serão determinantes para garantir um futuro melhor”, insistiu.

Após a cerimônia de premiação, os Príncipes visitaram uma exposição sobre a restauração do órgão da igreja abacial de Leyre, que abre nesta quarta-feira, e prestaram a tradicional homenagem aos Reis de Navarra depositando uma coroa de flores vermelhas no túmulo com os dizeres: “Felipe e Leticia, Príncipes de Astúrias e Viana”. A mensagem chamou a atenção porque o nome da Princesa estava escrito com c, e não com z.