O detido pela matança de Bruxelas é um jihadista francês fichado pela polícia

O suposto assassino de quatro pessoas portava ao ser preso uma kalashnikov e um revólver

A polícia francesa prendeu na sexta-feira em Marselha (sul da França) um homem suspeito de ter assassinado quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas (Bélgica) em 24 de maio, segundo informa a AFP citando fontes judiciais. O detido, um cidadão francês de 29 anos nascido em Roubaix (norte do país) e identificado como Nemmouche Mehdi, portava um fuzil kalashnikov e um revólver carregado que correspondem às características do material empregado no ataque ao museu belga. Ele foi detido na estação de ônibus de Saint-Charles sob a acusação de assassinato e tentativa de assassinato. A Justiça belga já pediu sua extradição.

O suposto assassino era um velho conhecido dos serviços de segurança franceses. Tinha sido fichado pela Direção Geral de Segurança Interna depois de uma passagem pela Síria, que durou, segundo informa Le Monde, desde o princípio de 2013 até março de 2014. Antes disso, o suspeito havia sido condenado em 2009 por roubar um supermercado em Tourcoing, perto da fronteira belga, e por outros delitos posteriores. O detido esteve na prisão até janeiro de 2013 e tão logo saiu viajou para a Síria, o que sugere que entrou em contato com grupos jihadistas durante seu período na prisão.

No momento da prisão, o suposto autor do quádruplo assassinato em Bruxelas se encontrava em um ônibus que faz a rota Amsterdã-Marselha e portava, além dos fuzis, munição, um boné militar como o que o franco-atirador usava e uma câmera portátil, tipo GoPro, o que confirmaria as informações segundo as quais o assassino estava com uma câmera na alça da mochila. Mehdi está sob custódia policial desde a prisão, na sexta-feira ao meio-dia. Sua detenção pode durar, segundo a lei francesa, 96 ou 140 horas se os investigadores constatarem uma ameaça iminente.

No ataque ao Museu Judaico da capital belga, realizado poucas horas antes da abertura das seções eleitorais para as eleições federais e europeias, faleceu um casal israelense – Emanuel e Miriam Riva –, uma mulher francesa e um jovem belga de 24 anos, segundo informou a Procuradoria de Bruxelas. Minutos depois do ataque, o Governo do país elevou o nível de segurança para quatro em uma escala de cinco. O Executivo também decidiu reforçar a segurança de várias sinagogas e edifícios judaicos da capital belga.

Esta manhã, o presidente da França, François Hollande, enfatizou que o suposto assassino tinha sido detido “tão logo pós os pés na França” e cumprimentou a polícia por sua eficiência. Hollande confirmou que o homem havia tomado parte na guerra na Síria e prometeu que a França “perseguirá esses jihadistas para evitar que, ao voltarem de uma luta que não é sua nem nossa, nos possam causar danos”. “Nós os combateremos, combateremos, combateremos”, afirmou.

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