MUNDIAL 2014

‘Inaugurada’, Arena das Dunas é a bola da vez na mira da FIFA

Estádio de Natal (Nordeste), aberto em janeiro pela presidenta Dilma Rousseff, não estava tão pronto como se pensava e suas obras viram o novo alvo dos organizadores da Copa do Mundo

Foto das obras nos assentos temporários, em Natal.
Foto das obras nos assentos temporários, em Natal.Reprodução (Twitter)

Ao longo do período de preparação para a Copa do Mundo no Brasil, alguns estádios foram a bola da vez nas preocupações dos organizadores quanto ao término de suas obras, em um movimento constante de “bate e assopra” da FIFA. A Arena da Baixada, em Curitiba (Sul), por exemplo, chegou a ter a sua exclusão seriamente analisada já neste ano. Agora, a Arena das Dunas, em Natal (Nordeste), inaugurada em janeiro pela presidenta Dilma Rousseff, voltou a ser alvo de atenção: o palco não está tão pronto como se pensava, a 14 dias do evento.

O secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, postou no Twitter após uma visita técnica à arena nesta quarta-feira que há uma “corrida contra o relógio” em Natal, e que muito ainda precisa ser feito para os “fãs e a mídia”. A mensagem foi acompanhada de uma imagem das arquibancadas provisórias ainda sem parte dos assentos. “Precisamos de comprometimento total de todos os envolvidos aqui em Natal para garantir que tudo estará pronto em 13 de junho”, data do primeiro jogo previsto para o estádio, o duelo México x Camarões.

A secretaria extraordinária da Copa do Rio Grande do Norte, estado cuja capital é Natal, minimizou nesta quinta-feira as críticas de Valcke, em declarações ao EL PAÍS. Incluindo a instalação dos assentos provisórios entre as estruturas complementares para o Mundial, afirmou que a arena está, “de fato, completamente pronta desde janeiro.” “O que está em fase de finalização são as estruturas complementares para o Mundial, entre elas os assentos, mas que serão instalados com prazo máximo até o dia 8 de junho”, avaliou.

Ainda de acordo com a pasta, até o final desta quinta-feira “quase metade dos assentos provisórios estará instalada”, e, “se não houver imprevistos, a conclusão dessa instalação ocorrerá até o final da próxima semana”. Uma outra preocupação na cidade, no entanto, envolve a conclusão das obras de mobilidade no entorno da Arena das Dunas.

Os estádios já estão sob controle da FIFA desde a semana passada, quando começou o período de exclusividade da entidade sobre as 12 arenas do Mundial e também sobre os 24 Campos Oficiais de Treinamento (COTs) das seleções. Para se visitar as arenas, por exemplo, se faz necessária uma autorização específica da entidade, e não mais dos proprietários dos estádios.

Embora não haja mais dúvidas de que todas as arenas sediarão os jogos da Copa, aumenta a preocupação de que os atrasos nas construções até agora cobrem algum preço na reta final de preparação, quando os organizadores intensificam a manutenção e a montagem das chamadas “estruturas complementares”, como as áreas de segurança e para a imprensa, por exemplo.

Nesta quinta-feira, Valcke reconheceu ainda que tem sido duro demais em algumas críticas ao Brasil, segundo declarações veiculadas pela BBC News. “É comum haver alguma tensão às vezes”, afirmou. Ele também admitiu que a própria FIFA cometeu erros nos preparativos para a Copa, como na definição de quem arcaria com os custos das estruturas complementares sobretudo nos estádios privados, o que acabou por gerar uma “discussão interminável”.

A Arena das Dunas, cuja administração é resultado de uma parceria público-privada, tem capacidade prevista para 42 mil espectadores durante o Mundial, a menor entre os 12 estádios do torneio. Sem as arquibancadas provisórias, terá depois da Copa uma capacidade para pouco mais de 30 mil torcedores. O local sediará quatro jogos da primeira fase, além de México x Camarões: Gana x EUA (16 de junho); Grécia x Japão (19); e Itália x Uruguai (24).

Desembarques e segurança

A Austrália foi a primeira seleção estrangeira a desembarcar no Brasil para a disputa da Copa, na noite desta quarta-feira. Os socceroos, como são conhecidos, chegaram a Curitiba (região sul) depois de cerca de 20 horas de viagem e seguiram rumo a Vitória (Sudeste), onde ficarão concentrados para o torneio. Liderados pelo experiente meia Tim Cahill, os australianos são considerados zebras e integram o grupo B do Mundial, ao lado de Espanha, Holanda e Chile.

Na recepção dos socceroos em Vitória, um forte esquema de segurança estava montado, para evitar qualquer tipo de incidente. A iniciativa revela um reforço nos aparatos para se garantir o conforto das delegações e dos representantes das seleções durante o Mundial.

A própria seleção brasileira, que sofreu nesta semana com um protesto de professores no embarque do Rio de Janeiro à cidade próxima de Teresópolis, onde realiza o seu período de treinamentos para a Copa, já tem à disposição soldados e carros do Exército, além de oficiais da Polícia Federal, da Polícia Militar do Rio de Janeiro e de seguranças particulares.

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