Biden: “A detenção de Gross é um obstáculo para a relação com Cuba”

O vice-presidente dos EUA disse em uma entrevista à blogueira Yoani Sánchez que Washington acompanha as mudanças na ilha sem deixar de pressionar em favor dos direitos humanos

Yoani Sánchez com Joe Biden em 2 de abril.
Yoani Sánchez com Joe Biden em 2 de abril.

A detenção do empreiteiro norte-americano Alan Gross, que desde 2009 está preso em Cuba cumprindo uma pena de 15 anos sob a acusação de subversão, é agora o principal obstáculo para melhorar as relações entre Washington e Havana, disse o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em uma entrevista concedida à blogueira cubana Yoani Sánchez e publicada nesta terça-feira no seu novo jornal digital14ymedio.com. Durante a conversa, Biden enfatizou a necessidade de “agir de forma criativa” no comércio com Cuba, “sem deixar de pressionar” para que os direitos humanos sejam garantidos na ilha.

O encontro entre Biden e Sánchez ocorreu em Washington em 2 de abril e, de acordo com a Casa Branca, foi marcado “para discutir os desafios da sociedade civil e os defensores da liberdade de expressão em Cuba”. No fim da conversa, Biden citou o caso de Alan Gross: um empreiteiro da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID, por sua sigla em Inglês) preso em Havana em 2009 enquanto trabalhava na implementação de um programa para melhorar as comunicações e o acesso à Internet para a comunidade judaica cubana, que foi considerado pelo Governo dos irmãos Castro como um plano subversivo para atentar contra a soberania de Cuba.

“Quero enfatizar que a detenção de Alan Gross em Cuba é um obstáculo importante para melhorar as relações entre os EUA e Cuba”, disse Biden durante a entrevista que Sánchez publicou no seu site nesta terça-feira. “Podemos ser tão criativos como quisermos com a nossa política, mas o caso de Alan continua no topo da lista de questões a serem resolvidas. Ele deve ser libertado por razões humanitárias”, acrescentou o vice-presidente.

Minutos antes, a blogueira cubana havia pedido que o vice-presidente comentasse a ideia que a Casa Branca insistiu no ano passado para descrever a sua política em relação a Cuba: a de ser mais “criativos” na abordagem da relação bilateral. “Nosso objetivo é promover uma mudança positiva na ilha para que os cubanos possam desfrutar de uma vida normal e produtiva no seu próprio país, ter a liberdade de expressar as suas opiniões e de se beneficiar de um sistema político inclusivo e democrático”, foi a resposta de Biden. “Temos visto um movimento positivo em algumas áreas (...) mas continuamos profundamente preocupados com a contínua detenção e os maus-tratos contra cubanos por exercerem liberdades que estão protegidas em outras partes do continente americano. A questão é como podemos agir de forma criativa para promover tendências positivas e demonstrar o nosso apoio ao povo cubano sem deixar de pressionar para que as condições dos direitos humanos melhorem”.

De acordo com o balanço de Biden, as medidas adotadas pelo presidente norte-americano, Barack Obama, para facilitar o intercâmbio entre os cubanos de ambos os lados e o trabalho conjunto com o Governo de Raúl Castro para solucionar algumas questões de interesse mútuo beneficiaram os cidadãos de ambos os países, sem que isso tenha significado o fim da exigência de reformas democráticas na ilha. De acordo com o vice-presidente, Washington vê positivamente as mudanças econômicas promovidas pelo caçula dos irmãos Castro para encorajar o investimento estrangeiro, mas ainda espera que essas medidas sejam “acompanhadas por uma expansão dos direitos e liberdades para que o povo cubano possa desenvolver todo o seu potencial”.