Seleccione Edição
Login

Bom Senso expõe a Dilma suas propostas para resolver a crise do futebol brasileiro

A associação de mais de 1.000 jogadores de futebol profissional pede uma “revolução para construir um futebol que sirva a todo o mundo”

Dilma com os representantes do Bom Senso FC.
Dilma com os representantes do Bom Senso FC. AP

Representantes do Bom Senso F.C., a associação de mais de 1.000 jogadores de futebol profissional que pede uma “revolução para construir um futebol que sirva a todo o mundo”, se reuniram na tarde desta segunda-feira em Brasília com a presidenta da República, Dilma Rousseff, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, para expor três petições que contribuiriam para um “saneamento geral do futebol brasileiro”.

Segundo um porta-voz da entidade, Ruy Cabeção, a presidenta se mostrou “consternada” com uma das principais queixas dos esportistas: o descumprimento crônico do pagamento dos salários dos jogadores por parte dos clubes. “Ela não imaginava que algo assim ocorresse no país do futebol, no Brasil pentacampeão. Para a presidenta, essa é uma grande novidade”, afirmou Cabeção na saída da reunião mantida no Palácio do Governo. Segundo o Bom Sendo, 85% dos futebolistas brasileiros recebem com atraso, ganham menos de 3 salários mínimos (2.460 reais) e estão desempregados durante seis meses do ano.

Os pontos discutidos na reunião, da qual também tomou parte o secretário Nacional de Futebol, Toninho Nascimento, fazem parte em sua maioria da Lei da Responsabilidade Fiscal do Esporte, proposta pelo deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ), que aguarda votação no Parlamento. Seus aspectos fundamentais são a punição aos clubes que atrasarem suas obrigações; a participação dos jogadores nas assembleias das federações estaduais e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF); e a criação de um Plano Nacional de Desenvolvimento do Futebol (PNDS)

O Bom Senso FC, cuja reivindicação principal é que “o Brasil volte a se transformar no país do futebol”, estima em 4,7 bilhões de reais a dívida dos 24 maiores clubes do país com a Receita Federal e resume o desfalque com o cálculo de que esse dinheiro serviria para construir 75 hospitais. Encabeçado por nomes conhecidos como Paulo André ou Zé Roberto, sua proposta de recuperação inclui dois pontos fundamentais. Primeiro, a racionalização do calendário: 85% dos 684 clubes brasileiros “ficam inativos durante mais de 6 meses”, o que impede a “auto-suficiência financeira e esportiva” dos clubes do interior; enquanto isso, os grandes clubes jogam “partidas demais” (em média, 68 por ano em competições nacionais, enquanto na Espanha são 48 e na Inglaterra, 50), resultando em maior número de lesões e mais baixa qualidade do espetáculo. Segundo, a regulamentação financeira dos clubes e a implantação de um modelo de saneamento baseado no “Fair Play” europeu, que rebaixe também o custo das entradas.

Enquanto as autoridades lutam para terminar a tempo alguns estádios ainda pendentes para a Copa do Mundo, os belos campos que já foram inaugurados brilham com arquibancadas semivazias em suas partidas do Campeonato Brasileiro. “Não faz sentido cobrar 100 reais por uma entrada, é incompatível com o poder aquisitivo do trabalhador... E o futebol é o esporte do povo”, disse o ex-jogador e hoje deputado Bebeto a este jornal há poucas semanas.

Entre os jogadores presentes na reunião estavam o ex-meio-campista Gilberto Silva e o goleiro titular do Internacional de Porto Alegre, Dida, ambos campeões do mundo em 2002. Em uma nota divulgada antes do encontro, o Bom Senso FC elogiou a “boa intenção” de Dilma, que nas eleições de outubro tentará renovar seu mandato presidencial. “É algo que ocorre poucas vezes com aqueles que governam o futebol do país, que demonstram pouco interesse pelo seu desenvolvimento”, afirmou a associação.

O futebol brasileiro, que esta temporada (pela primeira vez desde 1991) não levou nenhuma equipe às semifinais da Copa Libertadores, sofreu nos últimos meses episódios de violência e racismo nos estádios que já obrigaram a presidenta a se pronunciar poucos meses antes da Copa, qualificada pelo Governo como o “Mundial dos Mundiais’.

MAIS INFORMAÇÕES