As tropas ucranianas tomam posições para recuperar as áreas rebeldes do leste

Quatro tanques com soldados da guarda nacional de Kiev bloquearam a estrada que liga Kramatorsk a Slaviansk

Soldados ucranianos controlam a estrada nas periferias de Slaviansk.
Soldados ucranianos controlam a estrada nas periferias de Slaviansk. (AP)

Os militares ucranianos já tomam posições no leste do país. Quatro tanques com soldados da guarda nacional ucraniana bloquearam nesta segunda-feira a estrada que liga Kramatorsk a Slaviansk, a 100 quilômetros ao norte de Donetsk, na altura do município de Andreivska. Os militares impedem a passagem de todos os veículos, pois afirmam que há combates nas redondezas de Kramatorsk, um núcleo industrial com 166.000 habitantes que até a última sexta-feira estava completamente sob controle pró-russo.

Os ativistas pró-russos, no entanto, continuam controlando o centro da cidade, segunda maior do leste da Ucrânia. Na praça central do município foi celebrada nesta segunda-feira uma cerimônia civil e patriótica diante do caixão de uma das vítimas fatais da ofensiva do Exército do sábado. No centro não há nem sinal do Exército ucraniano, e os acessos estão controlados por barricadas de ativistas pró-russos. Nem sequer ao redor do aeroporto de Kramatorsk, onde supostamente se concentraram tropas de Kiev no sábado, há presença militar regular. A estrada que liga o sul do país a Kramatorsk está bloqueada a cada 100 metros por barreiras ou controles dos pró-russos; há alguns caminhões atravessados na via para reforçar as numerosas barricadas de pneus.

O incerto avanço do Exército em sua ofensiva contra os bastiões “separatistas” —a denominação do Governo ucraniano para os pró-russos— levou o medo até o coração da província, de 4,5 milhões de habitantes e responsável por um terço da produção industrial do país. Ao lado de Lugansk (nordeste), e Carcóvia (noroeste), Donetsk convocou um referendo de autodeterminação para 11 de maio, visto pelo Governo de Kiev como uma mais que plausível repetição da anexação da Crimeia por Moscou.

A eventual presença de ativistas de Pravy Sektor (Setor da Direita, ultranacionalista) como apoio da ofensiva militar é uma preocupação dos líderes da rebelião pró-russa. “Slaviansk e Kramatorsk estão bem defendidas por nossos combatentes, mas nos preocupa a situação de Krasnotorka [ao sul de Kramatorsk], onde estão infiltrados numerosos ativistas do Setor da Direita e de onde esperamos ataques”, assegurava ontem Kiril Rudenko, membro do diretório da República de Donetsk. Rudenko evitou se pronunciar sobre o teórico retrocesso rebelde no norte da província.

Assim como a sede da prefeitura, outros edifícios de Donetsk nas mãos dos rebeldes têm redobrado a vigilância nos últimos dias. Na manhã de domingo era possível ver em torno da Prefeitura grupos de milicianos em um aparente treinamento militar. No resto dos imóveis ocupados da cidade, a tensão era notória. “Recebemos um treinamento militar limitado, entre uma e três semanas de acordo com as funções, e não somos soldados profissionais, mas repelimos qualquer agressão do Exército”, assegurava na sede da radiotelevisão provincial Yuri, porta-voz improvisado do Oplot, um dos grupos mais organizados e radicais dentre os que dirigem a revolta, que ocupou a prefeitura há quase uma semana.

Dezenas de milicianos em traje de guerra transitavam nervosos pelo pátio, alguns deles armados. Dos alto-falantes da prefeitura não saíam mais as habituais canções patrióticas da época soviética, mas as notícias de uma emissora de informação em russo. Centenas de cidadãos com fitas listradas de São Jorge —um dos símbolos dos pró-russos, associado à II Guerra Mundial— rodeavam os acessos. “No edifício estão só os homens armados. Nós limitamos ao máximo a presença de voluntários”, reconhecia Rudenko.

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