Dilma cai nas pesquisas, mas seus opositores ainda não ganham aplausos

Em festa pelo Dia do Trabalho, Aécio e Campos lançam arsenal de críticas à gestão Rousseff, porém, ainda não são celebrados pelo público

Aécio Neves no Dia do Trabalho em São Paulo.
Aécio Neves no Dia do Trabalho em São Paulo.Victor Moriyama (Getty Images)

O dia do trabalhador deste ano foi escolhido por Maria de Lourdes Silva, 53 anos, funcionária pública, para ir ao ataque. Ela queria falar com a presidenta Dilma Rousseff (PT), mas como a mandatária não apareceu na festa do trabalhador promovida nesta quinta-feira pela Força Sindical em São Paulo, decidiu disparar contra quem lá a estivesse representando. A vítima foi Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. “Queria convidar o senhor a viver um mês, apenas um mês, com o meu salário [de 1.300 reais] para ver como é ser trabalhador”, disse Maria de Lourdes para o ministro Carvalho (salário de 26.000 reais) quando ele deixava o local do evento. A resposta dele foi breve. “Eu já morei em favela e recebia dois salários mínimos por mês numa época em que era muito mais difícil que a de hoje”, disse o bacharel em filosofia, ex-metalúrgico e fiel escudeiro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Poderia ter sido apenas mais um bate-boca entre uma autoridade e uma cidadã insatisfeita com os rumos do país, com a volta da inflação e com o aumento dos itens básicos no supermercado, um dia após um pronunciamento em rede nacional feito pela presidenta brasileira. Mas, isso foi a síntese dos ataques sofridos pela gestão Rousseff durante o ato da Força Sindical, a central de sindicatos comandada pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que também preside o recém-fundado partido Solidariedade.

Enfim, o evento que era para ser um ato festivo, com 29 microshows musicais de até 15 minutos, transformou-se em um ato dos partidos da oposição. Paulinho atacou o Governo de Rousseff e pediu que os 1,2 milhão de espectadores mandassem uma banana para a presidenta. Pedido atendido. Falou que seu pronunciamento na TV foi insatisfatório e que se a corrupção que permeia o país permanecesse no mesmo nível, a presidenta deveria ir para Papuda, penitenciária de Brasília onde está presa a maioria dos condenados pelo mensalão petista.

Eduardo Campos, pré-candidato a presidente

Aécio Neves (PSDB), para quem Paulinho pediu votos, chamou a gestão petista de patética, disse que Dilma estava fazendo um balcão de negócios com a Petrobras, e fez duas promessas que, na verdade, ninguém sabe se conseguirá cumprir: acabar com a inflação e voltar ao mesmo ato da Força em 2015 como presidente. “Quem quer estar ao lado do trabalhador não vem aqui só a cada quatro anos. Eu estou aqui com vocês”, disse. Nessa hora, parte dos espectadores vaiava, parte aplaudia e a maioria não fazia nada. Segundo a pesquisa do instituto MDA, para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada na semana passada, Neves teria subido de 17% das intenções de voto em fevereiro, para 21% neste mês, enquanto a presidenta caiu de 43,7% para 37%.

O avanço do candidato mineiro ainda não estava evidente na celebração do dia primeiro de maio. Os aplausos e os gritos de apoio ao senador partiram principalmente do grupo de falsos militantes da Força que seguravam bandeiras da central sindical e do partido de Paulinho. “Quando eu imaginei ver o Paulinho pedir voto para um tucano? A política é uma vergonha”, reclamou o comerciante Augusto Rodrigues, que admitiu ter ido ao ato para receber 50 reais para balançar uma bandeira laranja do Solidariedade o dia inteiro e, principalmente, para concorrer a um dos 19 carros Hyundai HB 20 sorteados aos participantes do encontro.

Eduardo Campos (PSB) foi o oposicionista que fez o discurso mais breve. Durante 1 minuto e 55 segundos, o ex-governador de Pernambuco e ex-ministro do governo Lula falou que o Brasil tinha tomado o caminho errado, que o salário mínimo tinha sido sufocado pelos Governos petistas, que os direitos dos trabalhadores foram reduzidos e houve um claro retrocesso da industrialização. “Brasília está de costas para o Brasil”, ponderou. E o público? Silêncio. Nem palmas, nem vaias.

Gilberto Carvalho, ministro

Como os ataques partiram de todos os lados coube a Gilberto Carvalho responder. “Todo mundo aqui conhece o Aécio. Sabe que ele está falando mal da Petrobras para depois privatizá-la. Quem acabou com os direitos dos trabalhadores foi o Fernando Henrique Cardoso. Quem disse que aposentado é vagabundo foi o FHC. Eles não enganam ninguém” , afirmou diante de apupos. “Nós impedimos a privatização do país”, finalizou seu discurso para logo em seguida tomar seu rumo.

Minutos mais tarde, Maria de Lourdes, aquela funcionária pública que interpelou Carvalho quando ele saía do palanque, estava parada em uma fila ao lado de uma amiga que segurava uma bandeira. Era a fila para receber os 50 reais por balançar as flâmulas da central sindical e do Solidariedade. “Só estou acompanhando minha amiga. Cada um joga com o que pode.”

Ataque aos patrocinadores

O ato da Força Sindical contra a gestão Dilma Rousseff teve nove patrocinadores principais. Desses, três injetaram dinheiro público no evento. O banco Caixa Econômica Federal, o Governo Federal e a Petrobras, uma das mais criticadas pelos opositores que subiram no palanque. Os valores da publicidade não foram anunciados.

Além disso, houve também o patrocínio da montadora de carros sul-coreana Hyundai. O que chama a atenção é que em 2011, quando o presidente licenciado da Força, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, ainda era aliado da gestão Dilma Rousseff, ele mesmo criticou a montadora durante uma reunião com a presidenta, conforme relatou a Revista Piauí em setembro de 2011.

“Ela [a Hyundai] traz um carro todo desmontado para o Brasil a um custo de 9.000 dólares. Monta aqui e vende por 120.000 reais. Não dá um emprego na produção de carros. E a imprensa não fala disso. Sabe por quê? Basta abrir os jornais e ver que só dá anúncio de página inteira da Hyundai”, disse Paulinho na ocasião do encontro.

Hoje, o deputado mudou de lado. Saiu do PDT e montou seu próprio partido, o Solidariedade. Oferece palanque para o oposicionista Aécio Neves e manda uma banana para a presidenta.