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O Brasil para inglês ver

Algumas informações para oferecer aos 600 mil torcedores que desembarcarão em terras brasileiras para assistir aos jogos da Copa do Mundo

Alinhavamos algumas informações, que esperamos ser úteis, para oferecer aos 600 mil torcedores que desembarcarão em terras brasileiras para assistir aos jogos da Copa do Mundo.

NOSSO CAMPO – Na última década, 2004 a 2013, foram mortas 338 pessoas por conflitos agrários, segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra. Somente no ano passado, houve 34 assassinatos, sendo que 15 vítimas eram índios. Metade das terras do país pertence a apenas 46 mil pessoas.

NOSSAS ESCOLAS – Um em cada cinco professores do ciclo final do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano) não tem curso universitário. E um em cada três não é habilitado, ou seja, não fez licenciatura. No ensino médio, um em cada cinco professores não fez licenciatura – são profissionais como administradores, advogados e jornalistas dando aulas de física, química, matemática, línguas. Os dados são da ONG Todos pela Educação. Cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais – ou seja, um em cada cinco adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.

NOSSAS CADEIAS – Há hoje encarceradas quase 580 mil pessoas, o quarto maior contingente do mundo. Conforme relatório do Ministério da Justiça, entre 1992 e 2013, enquanto a população cresceu 36%, o número de confinados aumentou 400%. E se a média mundial é de 144 presos para cada 100 mil habitantes, no Brasil é de 300, majoritariamente jovens (entre 18 e 34 anos), pobres, negros ou pardos, e de baixa instrução escolar.

NOSSAS CIDADES – De cada dez assassinatos ocorridos no mundo, um acontece no Brasil. Relatório da ONU mostra que o país tem uma taxa de homicídios quatro vezes maior que a média mundial – 25 assassinatos por 100 mil habitantes, mais de 50 mil pessoas mortas em 2012. Alagoas, o estado mais violento, registra 61 mortes por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional. E das 30 cidades mais perigosas do mundo, 11 são brasileiras, sendo quatro delas sede de jogos da Copa do Mundo: Fortaleza, Natal, Salvador e Cuiabá.

NOSSAS MULHERES – Estima-se que a cada ano ocorram 527 mil casos de estupro, mas que somente 10% cheguem ao conhecimento das autoridades. Do total das vítimas, 89% são mulheres. No estado mais rico do Brasil, São Paulo, o número de registros vem crescendo assustadoramente. Entre 2005 e 2010, o aumento chegou a 230%: foram computados no período quase 53 mil estupros, 128 pessoas a cada 100 mil habitantes. Em 2012, 13 mil pessoas foram estupradas, o que significa 35 ocorrências por dia.

NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES – Estima-se que 70% dos casos de estupro sejam contra crianças e adolescentes, praticadas por pai ou padrasto ou por conhecidos, parentes e amigos da família. Em 2012, foram registradas mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. Dados da Unicef mostram que há cerca de 250 mil crianças e adolescentes prostituídas perambulando pelas ruas do Brasil.

NOSSAS MINORIAS SEXUAIS – Pelo menos 312 gays, lésbicas e travestis foram assassinados no ano passado, média de um homicídio a cada 28 horas, conforme pesquisa do Grupo Gay da Bahia (GBB). A entidade estima que 99% dos crimes tiveram como motivação a homofobia. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade.

NOSSO TRÂNSITO – O país vai perder, em 2014, cerca de 48 mil vidas, vítimas de acidentes de trânsito, o que coloca o Brasil como o quarto mais violento do mundo também nesse quesito. São cerca de quatro mil mortes por mês, 132 por dia, seis por hora, uma a cada 10 minutos. E, segundo o Mapa da Violência, editado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e o Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos, entre 2000 e 2010, a taxa de mortalidade no trânsito, entre jovens de 15 a 19 anos, cresceu 376%.

NOSSOS ÍNDIOS – O Brasil tem uma das taxas de suicídio mais baixas da América Latina, cinco ocorrências a cada 100 mil habitantes, mas, quando se isola a população indígena, esse número sobe significativamente. O número de suicídios entre os índios é 34 vezes superior à média nacional, e sobe ainda mais entre os jovens, alcançando inacreditáveis 446 casos por 100 mil habitantes.

NOSSOS AFRODESCENDENTES - Relatório das Desigualdades Raciais no Brasil mostra que, por ter menos acesso à previdência social, a expectativa de vida entre afrodescendentes é de 67 anos, contra a média nacional de 73,4 anos. A taxa de analfabetismo entre negros e pardos é mais que o dobro da apresentada entre os brancos. Nem metade dos pré-adolescentes deste grupo, entre 11 e 14 anos, estuda na série esperada, e 85% das crianças até três anos não freqüentam creches.

NOSSOS HOMENS PÚBLICOS – Segundo a Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), o custo da corrupção no Brasil equivale a 1,4% e 2,3% do Produto Interno Bruto, ou seja, algo por volta de R$ 42 bilhões a R$ 69 bilhões. Estudo da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) revela que entre 1988 e 2007 nenhum agente público foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal e que neste mesmo período o Superior Tribunal de Justiça condenou apenas três autoridades.

NOSSA ECONOMIA – O Brasil é a sétima maior economia do mundo, movimentando 2,2 trilhões de dólares em produtos e serviços por ano.

NOSSA DISTRIBUIÇÃO DE RENDA – O Brasil tem a sexta pior distribuição de renda do mundo. Para cada dólar que os 10% mais pobres recebem, os 10% mais ricos ganham 68.

NOSSO ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO – O Brasil ocupa o 85º lugar do mundo – o IDH leva em consideração indicadores de renda, saúde e educação.