Presidenta da Petrobras admite que compra de refinaria foi prejudicial

Em clima de eleição e antes de instalação de CPI, senadores interrogaram Graça Foster por mais de seis horas

A presidenta da Petrobras, Graça Foster.
A presidenta da Petrobras, Graça Foster.Lia de Paula (Agência Senado)

A Comissão Parlamentar do Inquérito (CPI)  da Petrobras ainda nem começou, mas o Senado Federal já viveu nesta terça-feira o clima da intensa disputa política que deve tomar conta da Casa de Leis nas vésperas das eleições. Por mais de seis horas, os senadores interrogaram a presidenta da Petrobras, Graça Foster e teceram dezenas de críticas à compra pela estatal brasileira da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

O valor superfaturado e outras denúncias contra os negócios vieram à tona nos últimos meses após uma operação da Polícia Federal que prendeu um diretor da empresa por uma série de irregularidades.

Pela primeira vez, um representante da empresa admitiu em uma audiência pública que o negócio não foi benéfico para a Petrobras. Em 2006, a Petrobras pagou 360 milhões de dólares (795 milhões de reais no câmbio atual) por 50% da refinaria de Pasadena, um valor oito vezes superior ao pago em 2005 pela belga Astra Oil por toda a refinaria, 42,5 milhões de dólares. Em 2008, a petroleira brasileira adquiriu os outros 50% da refinaria por 820 milhões de dólares.

“Não há como reconhecer hoje ter sido um bom negócio. Isso é inquestionável do ponto de vista contábil. Pasadena é apenas um dos negócios da Petrobras. Um bom projeto no início e que se transformou num projeto de baixa probabilidade de retorno”, disse Foster.

Ao menos 20 senadores se inscreveram para falar durante uma reunião conjunta das comissões de Assuntos Econômicos e de Meio Ambiente. Os da oposição disseram que os gastos com a compra era desnecessário que a Petrobras estava sendo mal gerida. “Estão tratando a Petrobras como uma quitanda”, disse Pedro Taques (PDT do Mato Grosso), logo após apresentar outros dois negócios que foram negativos para a companhia.

Já os governistas, disseram que a Petrobras vem sendo investigada pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas da União e que a ida de Foster ao Senado é uma “ação política”, conforme as palavras da senadora Vanessa Grazziotin (PC do B do Amazonas).

O depoimento de Foster ao Senado foi visto pelo Palácio do Planalto como uma maneira de dar explicações aos congressistas e diminuir o impacto de uma CPI. Até por isso, ela respondeu a quase todas as perguntas. Só não detalhou por qual razão a estatal deu guarida ao diretor Nestor Cerveró, que foi o responsável pelo relatório que baseou o conselho de administração (à época presidido pela hoje presidenta Dilma Rousseff) na decisão de comprar a refinaria de Pasadena.

Na sessão, Foster reforçou que em até 30 dias chegará ao fim uma investigação interna sobre a malfadada compra da refinaria americana. Disse ainda que recentemente a Petrobras recebeu uma proposta de venda da refinaria, mas decidiu não negociá-la agora. “Não cobre o que pagamos, mas é a melhor proposta que já recebemos até agora.”