Merkel apoia o retorno da Grécia aos mercados

A chanceler alemã afirma em Atenas que o país honrou “suas promessas”

Visita de Angela Merkel a seu homólogo grego, Samarás.

A visita de ontem da chanceler alemã, Angela Merkel, a Atenas não podia ter sido mais oportuna e teve um forte gesto simbólico de apoio à reabilitação econômica do país, quatro anos após o colapso financeiro da nação que causou temor sobre a estabilidade da Europa e do euro. A viagem de Merkel, 24 horas depois da bem-sucedida volta da Grécia aos mercados, foi breve mas de uma enorme importância para ambos os países.

Durante uma coletiva de imprensa em Atenas, a chanceler elogiou o gerenciamento da Grécia ao aplicar as duras medidas de poupança e destacou que o sacrifício não era em vão. “A Grécia cumpriu suas promessas. A volta aos mercados financeiros é um sinal de que a confiança voltou. Espero que esta política continue”, destacou. “Grécia conseguiu! Hoje começa um novo dia e o país inicia seu caminho para o crescimento”, disse junto a ela o primeiro-ministro grego, Andonis Samarás, que sublinhou que a receita aplicada era a correta.

Embora todos os indicadores econômicos mostrem que a Grécia deixou para trás a enorme crise que esteve a ponto de provocar uma implosão da UE, a presença de Merkel em Atenas ainda continua sendo problemática por causa da pressão que exerceu Berlim para que Atenas colocasse em prática um polêmico plano de poupança destinado a ordenar suas finanças públicas.

Para evitar contratempos, as autoridades dispersaram mais de 7.000 policiais nas ruas da capital grega, proibiram os protestos públicos e isolaram completamente o bairro onde se encontra a sede do Governo. Mas a presença de Merkel em Atenas, ao contrário do ocorrido em outubro de 2012, aconteceu sem incidentes graves e sua visita coroou uma semana decisiva para o país. Depois de quatro anos de exílio dos mercados internacionais, a Grécia voltou na quinta-feira e conseguiu colocar três bilhões de euros (mais de nove bilhões de reais) em bônus de cinco anos, a uma taxa de 4,75%. “Os mercados internacionais expressaram uma confiança inquestionável na economia grega e em sua capacidade para sair da crise”, disse Samarás.

A diretora gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, assinalou de Washington que o sucesso da operação demonstrava que a Grécia estava marchando “na direção certa”.

Durante sua visita de sete horas, Merkel também teve um encontro com jovens empresários gregos aos quais disse que acreditava firmemente nas possibilidades do país para superar a crise. “Estou totalmente convencida de que, após uma fase muito dura, este país alberga infinitas possibilidades que ainda estão sem explorar”, afirmou a chanceler, que também assinou um acordo para impulsionar um banco de investimentos grego que terá a missão de apoiar o desenvolvimento das pequenas e médias empresas. Alemanha participará na entidade com 100 milhões de euros enquanto o Estado grego contribuirá com 150 milhões e a União Europeia, com mais 200 milhões.

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