González Rodríguez ganha o Anagrama de ensaio com ‘Campo de guerra’

O jornalista mexicano recebe o prêmio por uma obra de análise geopolítica

O jornalista mexicano Sergio González Rodríguez.
O jornalista mexicano Sergio González Rodríguez.ALBERTO ESTÉVEZ (EFE)

O jornalista mexicano Sergio González Rodríguez (Cidade de México, 1950) ganhou hoje o XLII Prêmio Anagrama de Ensaio e recebeu 8.000 euros (24.500 reais) por "Campo de guerra", que apresentava com o pseudônimo de El Becario, segundo anúncio do júri em Barcelona. Como finalista ficou Historia descabellada de la peluca (história descabelada da peruca), do também mexicano Luigi Amara, apresentado com o pseudônimo de Hirsuto de Cirene.

A obra ganhadora analisa a tendência geopolítica encabeçada pelos Estados Unidos, que, "com o pretexto de combater o terrorismo no mundo, impôs o controle e a vigilância a partir de plataformas militares e impulsionou lentamente a ordem de grandes corporações mundiais, cuja sinergia na espionagem absoluta se revelou nos últimos tempos". O editor Jorge Herralde se mostrou particularmente satisfeito pelo júri ter premiado por unanimidade este ensaio de um "jornalista de enorme prestígio no México e na América Latina", autor de livros como o aclamado Huesos no deserto, de 2002, uma reportagem sobre as mulheres assassinadas na cidade de Ciudad Juárez.

González Rodríguez já havia sido finalista do prêmio que agora ganhou: "Para mim já foi uma satisfação ser finalista há 20 anos. Agora estou duplamente contente", explicou o escritor. Jornalista e ensaísta que recebeu reconhecimento por suas denúncias e críticas do crime organizado do México,  reivindica a literatura  "não puramente de entretenimento, senão a que nos faz pensar e analisar". Em Campo de Guerra, questiona abertamente o impacto das tecnologias em uma sociedade na qual, denuncia, já não há um espaço privado "hoje em dia nos espiam pelo mero fato de olhar algo na internet". "A tecnologia não é neutra, tem dono. E nós somos só consumidores em um mercado cujas regras são impostas pelas grandes corporações".

O júri era formado por Salvador Clotas, Román Gubern, Xavier Rubert de Ventós, Fernando Savater, Vicente Verdú e o editor Jorge Herralde. Dos 133 originais apresentados chegaram ao final seis obras, três delas procedentes da Espanha, duas do México e uma do Peru. A obra ganhadora será publicada em maio deste ano, enquanto o ensaio finalista aparecerá nas livrarias em setembro.

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