Morre, aos 69 anos, o ator José Wilker

Ele sofreu um infarte fulminante na manhã deste sábado, em sua casa, no Rio de Janeiro. Wilker deixa duas filhas: Isabel e Marina

José, filho de Raimunda, nascido em Juazeiro do Norte, interior do Ceará. Só essas referências revelam que José Wilker, que faleceu neste sábado, era um dos atores que mais representava a brasilidade, seja no cinema, no teatro ou na televisão. Intelectual, irreverente, divertido, e um dos melhores atores da sua geração, Wilker sofreu, aos 69 anos, uma parada cardíaca em sua casa no Rio de Janeiro.

No cinema, interpretou papeis marcantes, como o personagem Vadinho, do filme "Dona Flor e seus dois maridos", em 1976, inspirado no romance de Jorge Amado. Foi a maior bilheteria do cinema nacional até 2010. Em seguida, veio Lorde Cigano, em Bye Bye, Brasil (1979), ou a história do deputado carioca Tenório Cavalcanti, no O Homem da Capa Preta (1986), e Antônio Conselheiro (1997), o líder religioso cearense que em 1896 viu-se no centro de um dos conflitos sociais brasileiros que marcaram a história do país, a Guerra de Canudos. Conselheiro criou uma comunidade independente para proteger pessoas mais carentes do poder dos fazendeiros locais. Os ‘rebeldes’ foram dizimados pelo Estado. O ator foi também narrador do documentário Jango (1984), sobre o ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964.

Wilker tinha apreço por personagens históricos do Brasil. Na televisão, fez o papel do ex-presidente Juscelino Kubitschek, entre 1956 e 1961. Ainda que JK fosse mineiro, coube ao ator cearense o papel de protagonista pela sua versatilidade como intérprete.

O ator, entretanto, tornou-se ídolo nacional na televisão, ao atuar em quase 30 novelas, Gabriela, adaptação de outro romance do escritor Jorge Amado. Sua última atuação foi na novela Amor à Vida, da rede Globo, que ficou no ar até o início deste ano. Deixa duas filhas.