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32ª RODADA DO CAMPEONATO ESPANHOL

Líder na base da emoção

O Atlético de Madri sofre para derrotar o Villarreal e Simeone invoca a ajuda da arquibancada na defesa da liderança

Após o gol de Raúl García, os visitantes dominaram a partida

Os jogadores do Atlético celebram o gol de Raúl García. Ampliar foto
Os jogadores do Atlético celebram o gol de Raúl García. GETTY

Com uma cobrança de escanteio cabeceada por Raúl García e muita coreografia emocional, o Atlético administrou e conservou sua liderança. A arquibancada foi comandada pelo sentimento de Simeone. Envolvido na pele de seus jogadores, na leitura da partida através do rival e dos sinais que seus atletas emitem, na hora jogo o treinador teve a intuição de que sua equipe sofreria, que precisava de sua torcida.

De braços abertos, começou a agitar a arquibancada, primeiro incitando a parte sul, depois a tribuna a suas costas e em seguida o setor norte. Ninguém une a arquibancada com a equipe como seu treinador. A torcida reconhece seus próprios sentimentos neste homem vestido de preto, que vive, sente, vibra e sofre com a equipe e o escudo. Esta terceira defesa consecutiva da liderança teve uma mistura com muito contraste. Frieza na prancheta e coração quente quando a partida se encaminhava para o pior, quando a posse de bola por parte do Villarreal poderia gerar um desencanto numa tarde em que o estádio Calderón recebeu 10.000 crianças, que foram instruídas na arte de ganhar com esforço e também sofrimento.

ATLÉTICO, 1; VILLARREAL, 0

Atlético: Courtois; Juanfran, Alderweireld, Godín, Filipe Luis; Mario Suárez, Koke; Raúl García, Diego Ribas (Sosa, min. 69), Cebolla Rodríguez (Tiago, min. 57); e Villa (Adrián, min. 62). Não utilizados: Aranzubia; Insúa, Miranda e Samuel Sáiz.

Villarreal: Asenjo; Mario Gaspar, Gabriel, Pantic, Jokic; Bruno Soriano; Joan Román (Aquino, min. 64), Trigueros (Jonathan Pereira, min. 68), Pina, Cani (Moi Gómez, min. 81); e Perbet. Não utilizados: Juan Carlos; Nahuel, Blázquez e Diego Jiménez.

Gol: 1 x 0, min. 14, Raúl García.

Árbitro: Gil Manzano. Mostrou cartão amarelo a Gabriel, Koke, Raúl García e Mario Suárez.

Cerca de 50.000 espectadores no estádio Vicente Calderón.

O Atlético não deu tantos chutões nos últimos dois anos como nos últimos 10 minutos deste sábado. Todos os gestos de seus treinador se justificavam pela visão agoniante que teve de que a incerteza dominaria o final da partida. Fazia tempo que não se via tantos torcedores no Calderón virando de costas,arrancando o cabelo, olhando para o céu, implorando que não acontecesse um gol que retirasse do time a possibilidade de continuar na briga pela Liga desde o lugar mais alto. Um desvio de Alderweireld contra seu próprio gol, já nos acréscimos, parou a respiração e colocou o coração na boca da torcida. Entre os torcedores, houve quem cerrou os punhos e vibrou ao final da partida como fez Simeone quando o apito de Gil Manzano assegurou à equipe os três pontos.

Valeu o gol de escanteio, a outra forma com a qual o Atlético conservou esse primeiro lugar que defende com as entranhas. O recurso já é tão habitual e evidente como a bola parada era o elemento mais importante daquele histórica equipe que conquistou a dobradinha. Foi Raúl García quem, tirando proveito de um empurrão em Mario, subiu impetuoso para completar um cruzamento à meia altura desde o corner direito feito por Koke. Ainda não havia passado um quarto de hora, de forma que o líder se dedicou durante mais de uma hora a administrar o resultado e o jogo como pôde, sobretudo nos instantes finais. Não tinha a saída pelos lados proporcionada por Diego Costa e não pôde confiar no contra-ataque com a naturalidade que faz quando tem em campo seu artilheiro. Também porque o Villarreal se empenhou em dificultar a saída do rival. Já havia pressionado no El Madrigal no primeiro turno e voltou a fazê-lo durante muitos minutos no Calderón. Por isso Simeone explicou à equipe que faltava criatividade para poder atacar. Uma maneira de reclamar de Diego. O meia brasileiro estava em campo, mas não o outro Diego, o que queima a grama cada vez que recebe uma bola com espaço . Estavam Villa, que conseguiu causar problemas com algumas arrancadas curtas, e Raúl García. Nenhum dos dois têm essa capacidade de lançar a equipe em velocidade. Diego começou a partida como titular do lado direito, mas ao 10 minutos seu técnico percebeu a debilidade deste setor e o fez trocar de posição com urgência com Raúl García. De alguma forma, a presença de Diego obriga “El Cholo” a jogar com os pontos fracos que podem existir por sua escalação.

Não deu um passo em vão a equipe de Simeone, nem tampouco um a mais para avançar ao ataque. Enfrentou um conjunto muito ordenado, formado em uma linha de quadro, com Bruno atuando por trás dos quatro meio-campistas, e um único atacante, Perbet, desses que jogam com o corpo à espera da chegada da segunda linha ofensiva. Alderweireld se impôs, cortando sempre que preciso. Jogou com muito aprumo o zagueiro belga, e quando a partida cobrava visão de um jogo de xadrez, executou como um bispo alguns preciosos passes em diagonal. Com ele não há dúvida de que a equipe não baixa o nível quando tem que jogar.

O Villarreal fez o Atlético compreender que não devia perder a cabeça, que tinha à frente uma equipe que também se constrói a partir do domínio dos espaços. Não se descompôs em nenhum momento o time de Marcelino, que jogou com a posse e o controle da bola até encurralar o líder e fazê-lo sofrer. Pina causou muitos danos. Contudo, o time não criou ocasiões claras apesar de tanto circular a área adversária e ameaçar constantemente.

Nem as substituições de Simeone, todas antes de uma hora de partida, conseguiram livrar o Atlético desse sofrimento e da intranquilidade. Tiago entrou no lugar de Cebolla, Adrián substituiu Villa e Sosa foi para o lugar de Diego. Três mudanças consecutivas para tentar matar a partida em um contra-ataque, que nunca aconteceu. Só houve um disparo de Raúl García de frente, a 10 minutos do final. A partir daí até o final, foi sofrimento para Simeone, seus jogadores e a torcida. Chutões e mais chutões como símbolo desse sofrimento angustiante para afastar o perigo à espera do apito final mais agradecido pela torcida até aqui na temporada.

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