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Contaminação mata 7 milhões de pessoas por ano, segundo a OMS

A poluição do ar é o principal risco ambiental para a saúde

Uma de cada oito mortes se relaciona com a exposição a ambientes contaminados

As doenças preponderantes são o ataque cardíaco e o acidente vascular cerebral

Uma imagem da contaminação em Barcelona.
Uma imagem da contaminação em Barcelona.

Mais de 7 milhões de pessoas morrem anualmente no mundo por causa da contaminação ambiental, dentro ou fora de casa, o que faz da poluição o principal risco no meio ambiente para a saúde. Assim denunciou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS), que apresentou as últimas estatísticas sobre contaminação, as quais demonstram que uma em cada oito mortes no mundo está relacionada com a exposição a ambientes contaminados,

"As cifras são surpreendentes, são dramáticas. E é um problema que afeta a todos, tanto os países em desenvolvimento como os desenvolvidos. Mas ter esses dados já é um primeiro passo positivo porque isso nos dá o conhecimento para poder agir e resolver o problema”, disse em entrevista à imprensa María Neira, diretora do departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS.

As cifras atuais surgem das estatísticas de mortalidade mundial em 2012 e, antes dessas, os últimos dados com os quais a agência de saúde das Nações Unidas contava, datados de 2008, indicavam um total de 3,5 milhões de mortes relacionadas com a contaminação ambiental, exatamente a metade do revelado agora.

Neira ressalvou, no entanto, que não se deve concluir que em seis anos os casos duplicaram, mas, sim, que a nova metodologia e a nova tecnologia permitiram fazer uma radiografia mais precisa da situação. Dos 7 milhões de falecimentos, 3,7 têm como causa a contaminação ambiental externa, e 4,3 estão relacionados à poluição interna nas residências, causada principalmente pela combustão para cozinhar com madeira, carvão ou biomassa.

Considerando que muitas pessoas estão expostas tanto à poluição doméstica como à externa, as estimativas de falecimentos não podem ser somadas, por isso, o total estimado de mortes por contaminação foi arredondado em 7 milhões. Os estudos revelaram que 80 por cento das enfermidades causadas pela contaminação ambiental externa são doenças cardiovasculares: 40 por cento são ataques cardíacos e outros 40 por cento, acidentes vasculares cerebrais.

Os 20 por cento restantes são causadas pela contaminação externa, sendo: doenças pulmonares crônicas (11%); câncer de pulmão (6%); e infecções respiratórias agudas em crianças (3%). Com relação à poluição doméstica, as principais consequências à saúde são: ataques cerebrais (34%). Ataques cardíacos (26%); doenças pulmonares crônicas (22%); infecções respiratórias agudas em crianças (12%); e o câncer de pulmão (6%).

“A poluição excessiva é com frequência resultado de políticas públicas insustentáveis nos setores de transporte, energia e industrial, e na gestão de resíduos. Em muitos casos, estratégias mais saudáveis também serão mais econômicas a longo prazo, graças à redução de gastos com saúde e à melhoria do meio ambiente”, afirmou, por sua vez, Carlos Dora, coordenador de Saúde Pública da OMS.

Dos 3,7 milhões de mortes causadas pela contaminação ambiental externa, 88 por cento ocorreram em países de renda média ou baixa, que representam 82 por cento da população mundial. As regiões do Pacífico Ocidental e do Sudeste Asiático são as que registram mais casos, com 1,67 milhão de mortes e 936.000, respectivamente. Outros 236.000 falecimentos ocorreram no Mediterrâneo Oriental; 200.000 na Europa; 176.000 na África; e 58.000 nas Américas. O restante das mortes teve lugar em países ricos da Europa (280.000); Américas (94.000), Pacífico Ocidental (67.000) e Mediterrâneo Oriental (14.000).

Quanto à poluição doméstica, a quase totalidade dos falecimentos se deu em países de renda baixa ou média, e somente 20.000 em nações ricas. As regiões do Sudeste Asiático e do Pacífico Ocidental foram as com mais mortes contabilizadas, 1,69 e 1,62 milhão, respectivamente. Outros 600.000 falecimentos ocorreram na África; 200.000 no Mediterrâneo Oriental; 99.000 na Europa; e 81.000 nas Américas. Por ora, a OMS não tem dados de contaminação por cidade, mas está trabalhando em um relatório sobre isso, que será divulgado nos próximos meses.

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