O partido de Juan Manuel Santos ganha nas legislativas e Uribe se aproxima

O movimento liderado pelo ex-presidente será a maior força de oposição no próximo governo. Santos, o atual presidente, pediu para que deixem os ódios de lado

O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe.
O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe.Luis Eduardo Noriega (EFE)

Uma briga disputadíssima entre o partido de La U, que que endossou Juan Manuel Santos como seu candidato para as presidenciais, e o Centro Democrático que lidera o ex-presidente Álvaro Uribe, marcou o pleito legislativo da Colômbia neste domingo. Quando se pensava que o ex-mandatário seria o grande vencedor, o partido de Santos tomou a dianteira quando só faltavam apurar 5% dos votos.

La U tirou não só a maior votação ao uribismo senão também elegeu o maior número de senadores por bancada. Com 98% dos votos apurados, o partido de Santos alçou-se com 21 representantes no Senado e 36 na Câmara. No entanto, Uribe, se aproximou ao obter 20 senadores e 12 representantes à Câmara, com o que é um feito com que seu nascente movimento de direita, o Centro Democrático, será a maior força de oposição no Congresso da Colômbia, acima do Polo Democrático, de esquerda, que terá só oito congressistas.

Ainda assim, Uribe está longe de ter as maiorias para manipular o Congresso que estará repartido entre os partidos de coalizão do governo -La U, liberais e Cambio Radical-, os conservadores, o Polo Democrático e Alianza Verde. Assim, o primeiro a celebrar a vitória foi Santos, que se apresentou na sede do partido da U, onde disse que era um “triunfo da paz”. O mandatário também aplaudiu o segundo lugar obtido pelo agora senador Uribe e o convidou a “deixar de lado os ódios e rancores e trabalhar pelo país".

O ex-presidente Uribe anunciou através do site de seu partido: "Hoje nasceu o Centro Democrático"

Por sua vez, Uribe, através da página de seu partido na internet, em um curto comunicado anunciou que “hoje nasceu o Centro Democrático” e na linha seguinte disse que irá ao Legislativo “por um país seguro, sem vacilações frente ao terrorismo, com absoluto respeito das liberdades, com justiça, sem impunidade para que possa ter perdão”, com o que antecipa o que será sua oposição a um eventual segundo mandato de Santos e ao processo de paz que adianta com a guerrilha das FARC.

Apesar da chegada do uribismo ao Congresso, tendo em conta que o Senado está composto por 102 senadores e que para o controlar se precisam 52, o mais seguro é que a coalizão de governo, chamada Unidade Nacional, seguirá controlando esta corporação, já que contaria com 47 senadores, embora terá que negociar com outros partidos como a Alianza Verde e Opción Ciudadana para conseguir as maiorias. Outro panorama terá a Unidade Nacional na Câmara de Representantes, formada por 164 membros, em que esta coalizão terá a maioria com 91 representantes.

O outro partido da Unidad Nacional, Cambio Radical, do qual faz parte o candidato à vice-presidência na chapa de Santos, seu ex-ministro de Interior e de Habitação, Germán Vargas Lleras, conseguiu eleger 9 senadores e 16 representantes à Câmara, o que lhe permitiu dizer a seu diretor, Carlos Fernando Galán que este movimento será a chave “da governabilidade do país”. Por outro lado, o conservadorismo, que também acompanhou o presidente Santos, mas que atualmente está dividido, terá 18 senadores e 27 representantes.

Nestas eleições há que se destacar que a maior votação individual foi obtida pelo atual senador de esquerda Jorge Enrique Robledo, do Polo Democrático, que protagonizou durante os últimos quatro anos os debates mais fortes de controle político ao governo de Santos e é também um ferrenho opositor de Uribe.

Outro político que teve um retorno importante à política nacional foi o ex-ministro e ex-candidato presidencial, Horacio Serpa Uribe, cabeça de lista do liberalismo, um dos partidos tradicionais na Colômbia que conseguiu eleger o maior número de representantes à Câmara (39), mas que não teve a mesma sorte no Senado, onde só conseguiu eleger 17 congressistas.

Uma das surpresas desta contenda foi a eleição da novata Claudia López, uma cientista política que é conhecida por ter destapado junto a outros pesquisadores, os nexos entre políticos e paramilitares e que na Colômbia se conhece como o escândalo da parapolítica. López teve a maior votação do movimento Alianza Verde, acima do histórico dirigente da guerrilha M19, Antonio Navarro Wolf. Os verdes elegeram 5 senadores e 6 representantes à Câmara.

As jornadas eleitorais deste domingo foi uma das mais tranquilas nos últimos anos, em um país onde os ataques da guerrilha aos candidatos ou à logística eleitoral são frequentes. Desta vez, segundo o governo, as ações armadas se reduziram em 83% com relação ao que ocorreu em 2010. De 72 fatos violentos passou para 12. O ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, qualificou estas eleições das mais seguras nos últimos 20 anos. No entanto, as denúncias por supostos delitos eleitorais persistiram.

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