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Preso no México ‘El Chapo’ Guzmán

O líder do cartel de Sinaloa, o narcotraficante mais procurado do mundo, foi preso em um hotel no norte do país

'El Chapo Guzmán' escoltado por soldados.
'El Chapo Guzmán' escoltado por soldados. REUTERS

Joaquín Loera El Chapo Guzmán foi preso neste sábado por autoridades do México e dos Estados Unidos, segundo informaram fontes do Governo mexicano. O líder do cartel de Sinaloa, a organização de narcotráfico mais importante do país, foi preso com vida em um hotel de Mazatlán, uma cidade no litoral do Pacífico em uma operação em que não houve disparos. "Não houve feridos nem danos", disse o procurador-geral da República, Jesús Murillo Karam.

A prisão de Chapo era uma das grandes pedras no sapato da justiça mexicana. Joaquín Guzmán Loera foi preso em 1993 na Guatemala e oito anos depois, em janeiro de 2001, escapou de uma prisão de alta segurança do Estado de Jalisco. Desde então tornou-se o narcotraficante mais conhecido do mundo. "É um gênio dos negócios", disse sobre ele Guillermo Valdés, o ex-diretor do Cisen, o órgão de inteligência mexicano.

Guzmán Loera foi preso junto com um colaborador em uma operação que levou vários meses, mas que teve seu momento chave entre os dias 13 e 17 de fevereiro, quando um domicilio na cidade de Culiacán (Estado de Sinaloa) que o capo mexicano visitava foi localizado. A casa estava ligada por meio de túneis a mais de sete imóveis. No entanto, as autoridades mexicanas decidiram prender o narcotraficante mais tarde para evitar o perigo de um confronto que colocasse em risco outros cidadãos.

O procurador explicou que o Governo mexicano esperou ter a identidade confirmada antes de apresentá-lo à imprensa. “Preferimos ter uma identificação total, os peritos já conseguiram isso e está confirmado 100%”, disse Murillo Karam. Ele também confirmou que a detenção de El Chapo foi realizada pela Marina com assistência das agências de inteligência dos Estados Unidos, que contribuíram com informação.

Na operação também foram presas 13 pessoas, 97 armas de grande porte, 36 armas de menor calibre, dois lança-granadas, 43 veículos, 19 deles blindados, foram apreendidos, além de 16 casas e quatro fazendas. Guzmán Loera, vestido com uma camisa azul e calça preta, entrou em um helicóptero da Polícia Federal para ser encaminhado a uma prisão cuja localização não foi especificada pelas autoridades mexicanas.

O gabinete de segurança de Enrique Peña Nieto divulgou no começo de janeiro um relatório, que repercutiu no jornal Reforma, no qual se demonstrava que as autoridades estavam rastreando o círculo mais próximo do narcotraficante. Amigos, familiares, sócios e ex-namoradas do Chapo estavam sendo seguidas de perto para apertar o cerco sobre ele.

Nesse relatório está detalhado que Chapo tinha diabetes e uma doença cardiovascular. O cartel que dirige é a organização que é capaz de transportar mais droga ao outro lado da fronteira dos Estados Unidos, o grande mercado que banca o crime organizado mexicana. A luta pelas áreas fronteiriças mais relevantes e as zonas de cultivo mais importantes do país entre a organização de Sinaloa e outros cartéis que queriam disputar o domínio é um dos fatores mais importantes na hora de contar a enorme espiral de violência que o país vive desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra aos criminosos em 2006.

No início da semana, o Exército, a Marinha e a Polícia Federal começaram uma grande operação nos Estados de Sinaloa e Baixa Califórnia, no norte do país. Prenderam dez narcotraficantes, entre eles Joel Enrique Sandoval, El 19, o suposto chefe dos pistoleiros de Ismael El Mayo Zambada, o número 2 do cartel de Sinaloa. O que se acreditava era que as autoridades estavam perto de prender este, outro dos grandes chefes mexicanos, mas, em vez disso, pescaram o peixe mais gordo. A direção do cartel, historicamente, está em mãos do Chapo, que conta com dois fiéis tenentes, El Mayo e Juan José Esparragoza, El Azul. Sobre este último apenas há fotos e se sabe muito pouco. Essa discrição lhe permitiu ficar quatro décadas no negócio da droga.

O caso do Chapo não é típico. Depois que os chefes das organizações mexicanas são detidos, os próximos na estrutura costumam lutar para ter o controle. Quem mais manda se torna um tigre enjaulado. Joaquín Guzmán, porém, retomou o controle de Sinaloa ao fugir da prisão. Seu profundo conhecimento do negócio e a violência que é capaz de exercer com quem tenta entrar em seu caminho, o tornaram uma peça-chave da organização. A complexidade operativa de sua empresa (transportar droga por vários países) é similar à da multinacional Amazon, que entrega livros em mundo inteiro.

Joaquín Loera esteve preso por delitos de homicídio, contra a saúde pública, crime organizado, porte de armas e tráfico de drogas. Durante seu tempo na prisão teve privilégios como álcool, drogas e a comida que desejava. Sua fuga revelou os problemas de segurança do Governo. Sua captura representa um golpe enorme em uma das estruturas criminosas mais consolidadas do país.

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