Venezuela suspende remessas familiares à Colômbia para proteger suas divisas

A decisão foi acordada pelos dois países para ajudar a fortalecer a cambaleante economia da nação petroleira

Um homem caminha em frente a cartazes de cédulas venezuelanas.
Um homem caminha em frente a cartazes de cédulas venezuelanas.

O Governo da Venezuela proibiu nesta segunda-feira o envio de dinheiro do país para a vizinha Colômbia. A medida, estabelecida pelo novo Centro Nacional de Comércio Exterior (CENCOEX, criado em janeiro pelo presidente Nicolás Maduro para centralizar algumas funções, entre elas, as de administração do regime de controle de mudança e a atribuição de divisas), afeta os colombianos e descendentes de colombianos que residem na Venezuela, cujo o número oscila entre um e dois milhões de pessoas.

A decisão segue os acordos alcançados entre as autoridades de ambos os países durante uma reunião de suas chancelarias, ocorrida na sexta-feira passada na fronteiriça cidade venezuelana de Maracaibo, capital do estado de Zulia. Para a ocasião, a parte venezuelana preparou um portfólio de pedidos aos seus homólogos colombianos para ajudar a fortalecer a cambaleante economia do país petroleiro, presa em um permanente conflito político, a taxa de inflação mais alta dos países ocidentais e um persistente desabastecimento de bens de consumo em massa.

Os pedidos incluíram um pacote de medidas conjuntas para frear o chamado “contrabando de extração” para o lado colombiano de produtos fortemente subsidiados pelo governo venezuelano. Também foi tratado do tema dos crimes de câmbio, que ocorrem em ambos os lados da fronteira para aproveitar a enorme brecha entre as cotações do dólar em relação ao bolívar, a moeda venezuelana, segundo suas diversas taxas oficiais, por uma parte, e no mercado negro, pela outra.

A suspensão das remessas responde ao segundo ponto. Por anos, a mão de obra colombiana migrou para a Venezuela para obter benefícios do boom petroleiro, até virar indispensável em setores como o agropecuário ou o da construção. Esses trabalhadores, e ainda seus descendentes, enviam parte de seus rendimentos para ajudar familiares na Colômbia. Esse trânsito representa uma importante quantidade de dólares, moeda que, ultimamente, anda escassa para o governo venezuelano.

O intercâmbio comercial entre a Colômbia e a Venezuela, que em determinados momentos alcançou cotas de 3 bilhões ao ano, floresce e seca, de acordo com os vai e vens políticos das relações binacionais. As remessas familiares representariam um montante similar a esse intercâmbio.

Autoridades venezuelanas –incluindo o vice-presidente Jorge Arreaza e o chanceler Elías Jaua- anunciaram que vem trabalhando entre os organismos monetários de ambas as nações para instaurar um sistema de remessas que pague em pesos colombianos. O anúncio corresponde ao desejo venezuelano, expressado em várias oportunidades, de criar um sistema de compensação específico que permita ao intercâmbio comercial entre os dois países de prescindir do dólar.

A suspensão, por breve que seja, colocará os migrantes e seus familiares em apuros. Por isso, o vice-presidente Arreaza se apressou nesta segunda-feira em avisar –na saída de um Conselho de Ministros em Caracas- que o cessar de remessas ocorrerá logo, uma vez que fique estabelecida “a modalidade das remessas em pesos, para que os colombianos que trabalham na Venezuela possam enviar remessas ao seu país, aos seus familiares, mas que sejam em pesos para proteger as divisas na Venezuela", disse.