Texas ignora as pressões internacionais e executa mexicano condenado a morte

O Supremo dos Estados Unidos rejeitou recurso de última hora ingressado pela defesa do mexicano

Familiares de Edgar Tamayo rezam em Miacatlán, Morelos
Familiares de Edgar Tamayo rezam em Miacatlán, Morelos

Edgar Tamayo foi executado à noite minutos depois das 21h30min, hora local, com uma injeção letal na prisão de Huntsville, Texas. O prisioneiro mexicano, havia décadas na cadeia, teve alargada a sua agonia por mais de três horas à espera de que o Supremo dos Estados Unidos aceitasse um recurso ingressado por sua defesa minutos antes das 18h, horário programado para a execução. Tamayo dispensou seu direito a pronunciar suas últimas palavras.

O Ministério de Relações Exteriores divulgou um comunicado. "A execução viola a Convenção de Viena sobre Relações Consulares e contraria a Corte Internacional de Justiça", ressalta o documento. A chancelaria sustenta que os Estados Unidos tinham que "revisar e reconsiderar" as sentenças impostas a Tamayo porque seus direitos à notificação e assistência consular "foram violados pelas autoridades do Texas no momento da detenção".

Tamayo foi executado pelo assassinato de Guy Gaddis, um policial de Houston, ocorrido em 1994. A família da vítima esteve presente. "Sim, se fez justiça. Não é nossa decisão, é a decisão do estado de Texas", disse Gayle, a mãe de Guy. Amigos do policial assassinado também estiveram presentes nas imediações da penitenciária.

A defesa de Tamayo tinha apresentado diversas apelações em tribunais de todas as instâncias sem êxito. Nas proximidades da Unidade das Paredes na prisão de Huntsville, onde se realizam as execuções, estiveram alguns membros da família Tamayo, jornalistas e alguns manifestantes contrários à pena de morte.

“Edgar é inocente, inocente, inocente”, disse à tarde sua tia Margarita Tamayo a EL PAÍS. Pela manhã Tamayo estava tranquilo, segundo seu pai, Héctor, na prisão de Polunski, de onde o transferiram nas primeiras horas da tarde para que percorresse o pavilhão da morte.

Pela manhã este mexicano, originário de Miacatlán (Estado de Morelos, no centro do México), esteve com seus pais e filhas, com quem posou para fotos. Cada passo de sua rotina foi seguido de perto pelos guardas de Huntsville que anotaram suas sestas, banhos, reuniões familiares e refeições.

Patricia Giovani, autora do livro Protocolo de la muerte: mexicanos en la antesala de la ejecución, descreveu o processo que Tamayo enfrentou.“É algo surreal. A pessoa já está na maca, todo mundo está em silêncio, dão-lhe o direito de dizer suas últimas palavras e em seguida dão a ordem. É muito cerimonial”, recorda Patricia, que presenciou execuções anteriores e relembrou que é um momento de imensa tristeza e angústia. A injeção letal é ministrada com a droga Pentobarbital, um poderoso anestésico que afeta o sistema respiratório.

Patricia recebeu duas cartas de Tamayo, que estão incluídas em seu livro. Em uma delas se queixou amargamente da pouca assistência que seu caso havia recebido do Governo do México. Além disso, mencionou que em várias ocasiões tinha pedido que levassem a sua família e só agora fizeram isso.

Funcionários do governo mexicano chegaram à prisão à tarde e defenderam sua atuação. Euclides del Moral, diretor geral adjunto de proteção do Governo do México, assegurou que o caso de Tamayo “estava incluído no programa de assistência sobre pena de morte desde 2002 e durante todo este tempo foram feitas inúmeras gestões na Justiça”. "Nos últimos dias estivemos em pleno contato com a família e eles expressaram sua gratidão”, acrescentou.

Huntsville tem uma área de 22 hectares e é administrada pela Divisão de Instituições Correcionais do Departamento de Justiça Criminal do Texas. É a prisão mais antiga do estado, aberta em 1849, e tem o pavilhão da morte mais ativo do Texas.

Tamayo ficara a nove metros da Câmara de Execução. A cela tinha uma extensão de dois metros por três com paredes turquesa e uma maca. De um lado, através do vidro ele foi observado pela família do policial Guy Gaddis, entre eles sua mãe, Gayle, seus irmãos Russell y Gary, além de sua cunhada Angela. No total 31 pessoas foram testemunhas da execução. Nenhum parente de Tamayo estava ali.