Trierweiler continua sofrendo de “fadiga nervosa extrema”

O presidente não visitou a primeira-dama desde sua internação, há uma semana. Sarkozy incentivou seus amigos a comprarem a imprensa de celebridades dias antes das revelações da ‘Closer’

Valerie Trierweiler em Nova Delhi, 2013.
Valerie Trierweiler em Nova Delhi, 2013.BERTRAND LANGLOIS (AFP)

A parte mais pessoal da novela do Eliseu oferece novidades nesta quinta-feira a respeito do precário estado de saúde da ainda primeira-dama Valérie Trierweiler, enquanto os três protagonistas do vaudeville continuam monopolizando a atenção dos meios de comunicação e as capas das revistas semanais de informação política e sentimental. Conforme informa a rádio Europe 1, a jornalista da Paris Match precisará permanecer internada em repouso por mais alguns dias no hospital parisiense Pitié-Salpêtrière, pois, segundo amigos, continua sofrendo de “uma extrema fadiga nervosa, cheia de altos e baixos”. A emissora afirma também que o presidente François Hollande não visitou sua companheira desde que ela foi internada, há uma semana, e que isto magoou Trierweiler profundamente.

Conforme contam os amigos que cuidam dela, a jornalista continua se perguntando a quem interessava que o escândalo estourasse, e pensa “em seus inimigos à sombra, que viam com maus olhos sua presença no Eliseu”. A respeito desse ponto, o semanário Le Canard Enchaîné, sempre bem informado, assegurava na quinta-feira que, dias antes das revelações da revista Closer sobre os amores secretos do presidente, o antecessor dele, Nicolas Sarkozy, recomendava a seus amigos que comprassem a imprensa de celebridades, dizendo-lhes: “Vocês vão se divertir”.

A reportagem sugere que o ex-chefe de Estado conheceu com antecedência o conteúdo da notícia, o que não é estranho levando-se em conta que esses rumores há meses vinham se propagando e que Sarkozy ainda mantém estreitos contatos com a cúpula policial, com o serviço de segurança presidencial e com o mundo editorial da imprensa sensacionalista e conservadora.

O semanário satírico revelou também a reação de Manuel Valls, o popular ministro do Interior, ao ver a foto de Hollande, com capacete de motociclista, entrando no apartamento da Rue du Cirque, situado a apenas cem metros do Eliseu: "Ele se comporta como um adolescente retardado”, disse Valls segundo o Le Canard.

Embora a primeira-dama tenha se declarado por um lado “pronta para o combate” e disposta a perdoar Hollande, seus amigos afirmam que ela “está muito magoada e se sente humilhada pela falta de tato” demonstrada por seu cônjuge, com quem está desde 2005 – embora sua relação só tenha se tornado pública em 2007, quando a então mulher dele, Ségolène Royal, perdeu as eleições contra Sarkozy e anunciou em uma revista de celebridades que iria se separar do pai de seus quatro filhos.

Ao mesmo tempo, a chamada segunda-dama da França, a atriz Julie Gayet, ganha cada vez mais protagonismo. Entre rumores de uma possível gravidez e depois de ser defenestrada na quinta-feira pela ministra de Cultura, Aurélie Filipetti, do júri da Academia Francesa de Roma, Gayet ocupa hoje a capa e as primeiras páginas da revista Elle, sob o título Uma Paixão Francesa e o sobretítulo “Atriz e mulher comprometida [engagée]”.

O perfil conta que Gayet revelou “há um ano” a uma amiga que havia conhecido “um homem mais velho que ela, muito diferente de seus companheiros anteriores, e que se dedica à política”; relata que o presidente a “impressionou” falando de cinema em seus primeiros encontros na companhia de Thomas Hollande, o filho mais velho do chefe do Estado, e recorda que a atriz divorciada, mãe de dois filhos, é grande admiradora do cinema de autor e vem divulgando na França, através de sua produtora Rouge International, “filmes palestinos, eslovenos, chilenos...”.

Além disso, a atriz abriu na quinta-feira um processo contra a Closer, acusando a revista de violar sua privacidade, informa a France Presse. Gayet pede 160.000 reais de indenização e 12.880 reais para pagar as custas advocatícias. Se ela ganhar, a revista terá de publicar uma retratação em sua capa.

Após defini-la como uma “verdadeira bobo” [abreviação de bourgeoise-bohème, ou burguesa-boêmia] próxima ao Partido Socialista e como uma “mulher normal”, a Elle acrescenta que Hollande visitou Gayet durante a rodagem do filme Âmes de Papier (“almas de papel”), no qual a atriz contracenava com o famoso humorista Stéphane Guillon, quem ventilou em dezembro os rumores sobre a relação secreta ao disparar em um programa de televisão, o Le Grand Journal, do Canal Plus, que “o presidente adora o filme, sua mulher bem menos!”.

À luz desses fatos, a Elle especula sobre o famoso tuíte que Trierweiler enviou em junho de 2012 apoiando o candidato dissidente do Partido Socialista que enfrentava Ségolène Royal nas eleições legislativas: “Sentia ela que Hollande começava a se afastar? Ou, pelo contrário, precipitou o final de seu idílio com esse gesto criticado por todos?”.