A Justiça chilena ratifica que Salvador Allende se suicidou

Corte Suprema ratifica que o ex-presidente tirou a própria vida durante o golpe de 1973 e dá por encerrada a investigação

Augusto Pinochet e Salvador Allende, em 23 de agosto de 1973.
Augusto Pinochet e Salvador Allende, em 23 de agosto de 1973. (AFP)

Os tribunais chilenos determinaram a verdade judicial sobre a morte de Salvador Allende, ocorrida há 40 anos. De acordo com uma decisão da Corte Suprema, conhecida nesta terça-feira em Santiago, o ex-presidente socialista se suicidou em 11 de setembro de 1973 no Salão Independência de La Moneda, enquanto os militares golpistas atacavam o Palácio do Governo. "Não há nenhuma testemunha que possa endossar a tese do confronto", assinala a sentença, que joga por terra a possibilidade de que o mandatário tenha sido assassinado pelos oficiais.

O pronunciamento da máxima instância judicial do Chile ratifica a investigação que o magistrado Mario Carroza realizou entre janeiro de 2011 e setembro de 2012 e a decisão da Corte de Apelações em junho passado. As duas instâncias concluíram que Além se matou, de forma que a sentença da Corte Suprema representa o encerramento definitivo desse processo que buscava, pela primeira vez em quatro décadas, determinar judicialmente o destino do primeiro presidente socialista do mundo a chegar ao poder democraticamente.

Segundo o texto da decisão judicial, em 11 de setembro de 1973 La Moneda estava em chamas após ser atacada pela Força Aérea. O médico de 65 anos dirigiu-se ao Salão Independência, no segundo andar do Palácio, e fechou a porta. A essa altura se encontrava sozinho, sem a companhia de sua filha Beatriz e de seus principais colaboradores que estiveram a seu lado durante toda essa jornada. A Corte Suprema assinala que, dentro do salão, Allende se sentou em um sofá, colocou o rifle entre suas pernas e, apoiando-o em seu queixo, o disparou. O presidente faleceu instantaneamente.

Allende sentou-se em um sofá, colocou o rifle entre suas pernas e, apoiado em seu queixo, o disparou

“Em consequência dessa ação, seu corpo ficou em uma posição tal que sua cabeça pendeu para a direita e se inclinou sobre o tórax. A caixa craniana teve uma perda grande de massa encefálica, que ficou espalhada no chão e na parede localizada às suas costas", relata o texto dos tribunais chilenos.

Pouco depois do golpe de Estado, a tese do assassinato de Allende se expandiu entre os principais líderes mundiais. Fidel Castro, inclusive, durante um discurso em Havana, assinalou poucos dias depois que o líder da Unidade Popular havia morrido em combate com o Exército, e recentemente, em 2002, admitiu publicamente ter se enganado. Durante grande parte da ditadura (1973-1990), para uma parte importante da esquerda chilena foi algo complexo aceitar que o presidente tinha tirado a própria vida, mas a verdade histórica foi sendo instalada aos poucos na população.

Os tribunais, no entanto, decidiram recentemente realizar uma investigação para determinar a verdade judicial sobre a morte de Allende e chegaram a exumar seus restos no Cemitério Geral de Santiago.

Tendo como base os resultados dessa perícia, descartou-se o uso de duas armas de fogo, já que novos rastros não foram encontrados. A morte de Allende foi causada, de acordo com a Justiça, por uma “lesão perfurante na cabeça por projétil de arma de fogo de alta velocidade”.

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