Chuvas no Sudeste já deixam 45 mortos

Após tempestades, 58.020 moradores do Espírito Santo e de Minas Gerais já tiveram que deixar suas casas

Moradores em área inundada em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo.
Moradores em área inundada em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo.Fabricio Ribeiro (EFE)

As fortes chuvas que atingem o sudeste do Brasil neste mês já deixaram ao menos 45 mortos em Minas Gerais e no Espírito Santo, segundo as últimas atualizações das defesas civis estaduais. Houve danos em ao menos 130 municípios dos dois Estados e 70.798 pessoas tiveram que deixar suas casas, por risco de deslizamento ou de inundação.

No Espírito Santo, o número de mortes subiu para 27. Na madrugada desta quarta-feira, 25 de dezembro, os Bombeiros conseguiram resgatar três corpos que estavam soterrados após um deslizamento de terras em Colatina, a cerca de 135 quilômetros da capital Vitória e perto da divisa com Minas Gerais. A busca só foi possível porque as chuvas, que atingem a região de maneira quase ininterrupta, deram uma trégua. No entanto, voltou a chover nesta tarde e as tempestades devem se prolongar no Estado até o próximo domingo.

Em Minas Gerais, Estado que já soma 18 mortes, foi encontrado na tarde deste 25 de dezembro o corpo de Maria Conceição Aparecida do Nascimento, de 50 anos, vítima de um deslizamento de terras em Juiz de Fora (a 278 quilômetro de Belo Horizonte). Na manhã do mesmo dia, o corpo de Leandro de Souza Batista, de 7 anos, também foi localizado. Ele morreu depois que a casa dele foi arrastada pela lama na área rural da cidade de Sardoá (a 330 quilômetros da capital Belo Horizonte).

Sardoá e Colatina estão localizadas próximas ao rio Doce, que transbordou, atingindo casas e destruindo ruas e estradas. A Defesa Civil de Minas Gerais afirma que 7.099 casas foram danificadas no Estado e 116 destruídas. No Espírito Santo, 20.000 quilômetros de estradas foram destruídos ou danificados, dificultando o deslocamento de veículos, incluindo dos que levam ajuda humanitária. Há distritos completamente isolados, que recebem doações e socorro por helicóptero –mas alguns voos são impossibilitados pelas condições meteorológicas.

O abastecimento das cidades também já está comprometido. Segundo moradores, nas prateleiras dos supermercados já são raros produtos como leite, arroz e água potável. Reportagem do Jornal Hoje, da Rede Globo, mostrou que em Itaguaçu, um dos municípios mais atingidos do Espírito Santo, que teve oito mortes, todos os supermercados foram inundados. Um deles, que abriu para fazer a limpeza, colocou os produtos na rua e moradores disputavam os sacos cobertos de lama.

As tempestades atingem os dois Estados desde o começo do mês. Mas, em Minas Gerais, elas se intensificaram nas últimas duas semanas e, no Espírito Santo, há pouco mais de uma. Segundo Evair Vieira, presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), elas são resultado da intensificação da Zona de Convergência do Atlântico Sul, encontro da umidade da Amazônia com correntes marítimas.

Granja avícola inundada em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo.
Granja avícola inundada em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo.JOÃO RUDIO (EFE)

O volume de chuvas registrado neste mês na principal estação meteorológica do Estado, localizada na Universidade Federal do Espírito Santo, registrava até a última segunda-feira à noite quase o triplo do volume de chuvas que costuma registrar em dezembro, na média dos últimos 90 anos. Foram 669 milímetros de precipitação, 420 deles em um intervalo de menos de 48 horas (entre a noite do último dia 16 e a manhã do dia 18) –isso significa que, neste período, 420 litros de água atingiram o espaço de apenas um metro quadrado. Antes do início das tempestades, a Nasa (agência espacial americana) entrou em contato com o Incaper, que monitora as chuvas, para avisar que haveria um evento anormal.

As nuvens, segundo o instituto, agora estão perdendo força na região, mas devem continuar com intensidade moderada até pelo menos sexta-feira. As tempestades, vão se deslocar para o Norte do Estado do Rio.

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