Irmandade Muçulmana é declarada “organização terrorista” pelo Egito

Histórico movimento islâmico, opositor ao governo, foi considerado grupo criminoso após um sangrento atentado contra uma delegacia

Um homem passa pela área do ataque a uma delegacia de polícia em Mansura.
Um homem passa pela área do ataque a uma delegacia de polícia em Mansura.Ahmed Ashraf (AP)

O Executivo egípcio designou de forma oficial nesta quarta-feira, 25 de dezembro, o histórico movimento islâmico da Irmandade Muçulmana como “organização terrorista”. A declaração acontece um dia depois de um dos atentados mais sangrentos dos últimos anos na delegacia policial da cidade de Mansura, que deixou ao menos 16 mortos e mais de uma centena de feridos. Embora a organização jihadista Ansar Bayt al-Maqdis tenha reivindicado a ação, tanto os meios de comunicação como o Governo fazem questão de atribuir a responsabilidade à Irmandade.

O anúncio foi feito em uma coletiva de imprensa da qual participaram o ministro das Universidades, Hossam Eissa, e o da Solidariedade Social, Ahmed Borei. A partir de agora, poderá ser condenado por pertencer a um grupo armado qualquer membro da Irmandade, uma organização fundada em 1928 e que conta com centenas de milhares de membros em todo o país. A congregação foi tornada ilegal no mês de setembro por ordem judicial, e o mesmo poderia acontecer cedo com seu braço político, o Partido da Liberdade e da Justiça, pois espera-se que nas próximas semanas a Justiça se pronuncie sobre uma demanda de dissolução.

A campanha de repressão contra os Irmãos Muçulmanos iniciou-se imediatamente após o golpe de Estado do 3 de julho que depôs o presidente Mohamed Morsi, um dos líderes do movimento islamista. Desde então, prendeu-se praticamente toda sua cúpula, além de centenas de quadros altos e médios da organização sob a acusação de incitar a violência ou de participação em manifestações violentas.

O Governo e os meios de comunicação acusaram reiteradamente a Irmandade de estar por trás da onda de atentados contra as forças de segurança que aconteceu durante os últimos cinco meses, sobretudo na península do Sinai, e que já foi responsável pela morte de mais de cem agentes e soldados. Isso criou um forte sentimento de ódio contra o grupo entre um segmento importante da população. Por isso, depois do atentado da terça-feira em Mansura, multidões de pessoas atacaram e incendiaram propriedades de conhecidos membros da organização.

Por sua vez, os Irmãos Muçulmanos condenaram o atentado e o qualificaram como “um ataque direto contra a unidade do povo egípcio”. Instaram também as autoridades a levar à Justiça os responsáveis. “Por enquanto, não há nenhuma prova de que os Irmãos Muçulmanos tenham vinculação com as organizações jihadistas baseadas no Sinai, que são as que cometeram os atentados dos últimos meses”, explica Mohamed Faiz, analista do think tank Al Ahram.

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