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Polícia investiga suborno pago a partido de oposição brasileiro em São Paulo

Ex-executivo de multinacional acusa secretários estaduais e parlamentares de receberem dinheiro ilegalmente nas concessões do metrô

O ano de 2013 tem sido traumático para os dois principais partidos brasileiros, o governista PT e o oposicionista PSDB.

Os petistas, que governam o país há dez anos, viram três de seus ex-dirigentes, políticos aliados e empresários ligados a eles serem presos por envolvimento no caso de corrupção que ficou batizado como mensalão.

Nos últimos meses, os escândalos de corrupção se viraram para o PSDB de São Paulo, o Estado mais populoso e desenvolvido do país, que desde 1995 é governado pelo mesmo partido.

Denúncias feitas pela multinacional alemã Siemens dão conta que entre os anos de 1998 e 2008 as empresas que participaram de licitações para fornecer trens para o metrô de São Paulo, administrado pelo Governo do Estado, montaram um cartel e tiveram o apoio dos Governos tucanos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, este último, o atual governador paulista.

As acusações estão sendo investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Até o momento, ninguém foi preso pelo escândalo.

A Siemens decidiu se manifestar sobre o assunto após firmar um acordo de delação premiada este ano, no qual não poderá ser punida caso seja comprovada que participou das fraudes.

Nas últimas semanas, Everton Rheinheimer, um ex-executivo da Siemens que trabalhou na empresa por 22 anos, decidiu “dar nome aos bois” e identificou quem, segundo ele, teria recebido propina para participar do esquema que abastecia o caixa 2 de dois partidos, o PSDB e o DEM, um de seus principais aliados. As revelações foram feitas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Entre os acusados pelo ex-dirigente da multinacional estão o principal secretário do governo Alckmin, Edson Aparecido e outros cinco políticos ligados ao governador: os secretários estaduais Jurandir Fernandes, José Aníbal (PSDB) e Rodrigo Garcia (DEM), o senador Aloysio Nunes Ferreira (do PSDB) e o deputado federal Arnaldo Jardim (do PPS). O ex-executivo, porém, que firmou um acordo com a polícia para não ser punido caso ajudasse nas investigações, negou oficialmente que tenha identificado os envolvidos.

Uma série de documentos que está com a Polícia Federal comprovaria a tese de que diversas autoridades de São Paulo e também do Distrito Federal, no Centro-Oeste do país, governado na época por José Roberto Arruda (DEM), tinham conhecimento do esquema ilegal e participaram dele. Cita também as outras empresas que se agruparam para lesar os cofres públicos: a multinacional francesa Alstom, a canadense Bombardier e a norte-americana Caterpillar.

Conforme a denúncia, os contatos com os políticos eram feitos por intermédio de um lobista chamado Arthur Teixeira. Antes de chegar à polícia, os documentos foram entregues ao Conselho Administrativo de Atividade Econômica (Cade), órgão do governo federal responsável por investigar a existência de cartéis.

A discussão mais recente é da maneira que essa documentação chegou ao Cade e à polícia. Rheinheimer disse aos policiais que o deputado Simão Pedro, do PT e adversário do PSDB em São Paulo, o acompanhou na reunião com representantes do Cade. Ontem, o ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff (PT), José Eduardo Cardozo, afirmou que foi ele quem pediu para a Polícia Federal investigar o caso.Todos os suspeitos negaram veementemente as acusações. Edson Aparecido disse inclusive que vai processar Rheinheimer.