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Escócia pede formalmente a Londres novo referendo sobre independência

Sturgeon afirma em carta a May que não há nenhum “motivo racional” para se opor à consulta

Imagem cedida pelo Governo escocês que mostra a Sturgeon trabalhando na carta a Maio

O Governo da Escócia pediu formalmente nesta sexta-feira ao Executivo britânico autorização para realizar um segundo referendo sobre a independência do país, alegando que os escoceses devem ter o direito “de escolher o seu próprio futuro”. A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, enviou uma carta a Downing Street, residência e gabinete oficial da primeira-ministra conservadora, Theresa May, em que reivindica a realização de um novo plebiscito diante da iminente retirada do Reino Unido “não só da União Europeia, mas também do mercado comum”, desfecho pelo qual a população escocesa “não votou”.

A carta chega a Downing Street logo depois de o Parlamento autônomo de Holyrood (Edimburgo) ter aprovado, na última terça-feira, um dia antes do início formal do processo do Brexit, uma moção que insta o Governo escocês a iniciar uma negociação com May. A primeira-ministra britânica disse que, na sua avaliação, este “não é o momento” para a realização de um outro referendo sobre a independência. “Não existe nenhum motivo racional para que a senhora tente se impor à vontade do Parlamento escocês, e espero que não o faça”, escreveu Sturgeon. “De toda forma, em antecipação a uma possível negativa sua de abrir negociações, é importante que eu deixe clara a minha posição”, acrescentou.

“Os escoceses devem ter o direito de escolher o seu próprio futuro” e de “exercer o seu direito à autodeterminação”, destacou a líder nacionalista em sua carta a May. Segundo a argumentação de Sturgeon, independentemente de qual venha a ser o desfecho das negociações que Londres terá com a União Europeia para definir os termos da retirada do país do bloco comunitário, “parece inevitável que o Reino Unido deixará não só a UE, mas também o mercado comum”. A primeira-ministra escocesa entende que não foi por um cenário como esse que os escoceses votaram no referendo de 23 de junho passado e que tal desfecho “terá consequências significativas” para sua “economia, sua sociedade e o seu lugar no mundo”.

Além de ter enviado a carta a May, Sturgeon ressaltou, em uma breve declaração em vídeo postada nesta sexta-feira tanto na sua conta pessoal do Twitter quanto na do Governo escocês, “as enormes consequências” do Brexit para a Escócia, destacando também que os próximos dois anos serão “enormemente importantes” para o seu país. “Tive de escrever ao Governo britânico para garantir que os escoceses possam escolher, na hora apropriada, se aceitam o Brexit ou se querem, em vez disso, ser um país independente”, disse.

A líder escocesa afirmou, ainda, que, caso May rejeite a sua solicitação, irá informar ao Parlamento escocês “dentro de algumas semanas” como o seu Executivo atuará de agora em diante. Sturgeon acredita também que “um bom acordo” para o Reino Unido no processo de diálogo a ser realizado com a UE “redundará claramente em algo favorável também aos interesses da Escócia, independentemente do futuro constitucional” que se venha a escolher. Por isso, segundo afirmou, seu Governo “desempenhará um papel construtivo” para que se chegue a um acordo positivo.

May já havia dado sinais de que rejeitaria o pedido da Escócia. Em diferentes ocasiões, afirmou que “agora não é o momento” de realizar um novo plebiscito sobre o tema, pois, na sua opinião, trata-se, hoje, de mostrar unidade no processo de negociação do Brexit.

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