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Escócia anuncia seus planos de convocar outro referendo de independência em meados de 2018

A líder escocesa, Nicola Sturgeon, solicitará a consulta na próxima semana

Referendo
Nicola Sturgeon, em 9 de março em Londres. Getty Images

A Escócia se encaminha para um novo referendo de independência. Foi o que anunciou nesta segunda-feira, dia 13 de março, ao meio-dia, a primeira-ministra do país, a nacionalista Nicola Sturgeon, em um discurso pronunciado em Edimburgo — mesmo dia em que se espera que o projeto de lei do Brexit passe pela tramitação parlamentar e Theresa May tenha caminho livre para iniciar as negociações de saída da União Europeia.

“Na próxima semana pedirei autorização do Parlamento escocês para realizar um novo referendo de independência”, disse Sturgeon. A líder nacionalista anunciou que sua intenção é realizá-lo em meados de 2018, mas antes que seja tarde demais e o Reino Unido esteja fora da UE, algo que se espera que aconteça no primeiro semestre de 2019.

Na primeira hora da manhã, Sturgeon anunciou em sua conta do Twitter que pronunciaria “um importante discurso prévio à ativação do artigo 50” do Tratado de Lisboa, que abre o processo de negociação de dois anos. A interpretação geral era a de que ela utilizaria o discurso para anunciar a convocatória de um segundo referendo antes que o Reino Unido abandone definitivamente a UE, e assim tem sido.

“Meu foco desde junho foi chegar a um acordo com o Governo britânico que concilie o voto do Brexit com o voto escocês pela permanência”, disse Sturgeon. Mas encontrou no Governo britânico, afirma, “um muro de intransigência”.

O futuro do Reino Unido hoje, explicou, se desenha muito diferente do que era em setembro de 2014, quando os escoceses rechaçaram a independência no referendo. Para além do horizonte do Brexit, acrescentou, “o colapso do trabalhismo anuncia um poder permanente e inconteste para os tories em Westminster”.

“Tudo isso tem enormes implicações para a Escócia”, afirmou, “e em tempos assim o mais importante é ter um plano”. Esse plano consiste, segundo Sturgeon, em defender os interesses dos escoceses em todo o processo de negociação da ruptura com a UE. E, em seguida, “garantir que a Escócia tenha capacidade de decidir o fim do processo”.

A primeira-ministra recordou que no programa eleitoral com o qual seu partido, o SNP, ganhou as eleições escocesas no ano passado dizia-se claramente que “uma mudança significativa nas circunstâncias, como que a Escócia seja tirada da UE contra sua vontade”, levaria a um novo referendo de independência. Na consulta sobre o Brexit de junho do ano passado, os escoceses optaram em 62% por permanecer na UE.

O Parlamento escocês não tem a competência de convocar um referendo. Sturgeon pedirá ao Parlamento escocês na semana que vem a autorização para solicitar a Westminster a realização de um referendo. Isso permitirá convocar uma consulta legalmente vinculante, como a que ocorreu em 2014. A primeira ministra, Theresa May, não deixou claro até agora se está ou não disposta a dar permissão para um novo referendo de independência. Isso levará, muito provavelmente, a um árduo debate sobre o texto da pergunta e sobre o calendário. O Partido Conservador escocês já se mostrou partidário de realizá-lo depois que terminem as negociações do Brexit. Mas Sturgeon prefere, como confirmou hoje, realizá-lo antes da saída, para não ter de negociar eventualmente a entrada.

Não está claro, pela falta de precedentes, se uma Escócia independente poderia manter a participação na UE, à qual agora pertence por ser parte do Reino Unido. Na atualidade, as pesquisas de opinião na Escócia mostram uma população dividida em duas metades, a favor e contra a independência, com um bom número de cidadãos abertos a mudar de opinião.

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