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Manuel Valls, ex primeiro-ministro socialista, anuncia seu apoio ao centrista Macron

Crise do Partido Socialista, com poucas chances nas eleições, se aprofunda com a posição tomada por um de seus líderes

A fuga de socialistas em direção a Emmanuel Macron, o candidato de centro que as pesquisas apontam como favorito para ser o próximo presidente da França, se acelera a cada dia. Manuel Valls – figura central do Partido Socialista nos últimos anos, ex-primeiro-ministro, líder da ala reformista e candidato derrotado nas eleições primárias do partido — anunciou nesta quarta-feira que votará nestas eleições em Macron, o candidato do movimento En Marche!, e não em seu companheiro socialista Benoit Hamon.

Manuel Valls, na quinta-feira passada (23) em Paris. Ampliar foto
Manuel Valls, na quinta-feira passada (23) em Paris. GC Images

Em entrevista à rádio RMC e ao canal de televisão BFM TV, Valls explicou sua decisão com base no argumento do voto útil, contra o risco de que a candidata da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, vença as eleições. “Votarei em Emmanuel Macron porque não quero que a República corra nenhum risco”, afirmou Valls, que se diz convencido de que as pesquisas subestimam as chances de vitória da FN.

O ex-primeiro-ministro considera primordial evitar que Le Pen e o candidato da direita, François Fillon, indiciado por um caso de supostos empregos fictícios, saiam vencedores do primeiro turno, em 23 de abril, deixando os candidatos de centro e de esquerda fora da disputa.

O anúncio de Valls agrava ainda mais a crise do Partido Socialista, que assiste a uma queda nas pesquisas e que se encontra profundamente dividido, com poucas chances de levar seu candidato ao segundo turno. Nos últimos quarenta anos, os socialistas só ficaram fora do segundo turno em uma oportunidade. O candidato socialista, Benoit Hamon, derrotou Valls nas primárias da esquerda, em janeiro. O futuro é bastante duvidoso, e ninguém dá como certo que o partido de Mitterrand e de Hollande conseguirá sobreviver a estas eleições.

O fosso que se abriu entre a ala esquerda, de Hamon, e a ala reformista, de Valls, será difícil de ser fechado, o que pode levar a uma recomposição da esquerda e da centro-esquerda francesas. Em entrevista ao EL PAÍS e outros jornais europeus, na semana passada, Hamon antecipou a atitude de Valls. “Na vida existem princípios: não se recompõe uma família política sem o respeito à palavra e ao veredito das urnas [das primárias da esquerda], que foi o que Manuel Valls fez”.

Ao ser questionado sobre as chances de o partido continuar existindo depois das eleições, Hamon disse: “Continuará a existir um Partido Socialista. Mas, como será ele? Não tenho nenhum fetiche em relação a aparelhos. Deixo a resposta em aberto”.

Valls e o grupo de deputados da Assembleia Nacional que o apoiam podem ser importantes para ajudar na formação de um governo Macron caso este, que foi um ministro independente dentro do governo socialista de François Hollande, vença o segundo turno, marcado para o dia 7 de maio.

Macron agradeceu o apoio em entrevista à rádio Europe 1 e disse que ele é uma demonstração de que as primárias de janeiro, das quais se recusou a participar, não conseguiram unir a esquerda. Mas a posição assumida por Valls também pode criar um certo incômodo para o candidato. O líder do En Marche!, que vem buscando apoio não só de setores da esquerda, mas também da direita, quer evitar ser visto como uma continuidade do bastante impopular presidente Hollande e de seu governo, em que Valls ocupou um lugar fundamental, inicialmente como ministro do Interior e depois como primeiro-ministro.

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