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McCain: “A primeira coisa que os ditadores fazem é reprimir a imprensa”

Senador republicano critica Trump por qualificar os jornalistas como “inimigos do povo americano”

O senador John McCain, na sexta-feira em Munique
O senador John McCain, na sexta-feira em Munique AFP

O senador norte-americano John McCain lançou neste domingo uma severa advertência ao presidente Donald Trump por causa dos seus reiterados ataques à imprensa. “Quando você examina a história, [observa que] a primeira coisa que os ditadores fazem é reprimir a imprensa”, disse o veterano legislador – republicano como Trump – numa entrevista à rede NBC, sem, no entanto, acusar diretamente o novo presidente de ter tendências ditatoriais. Ele comentava uma declaração feita na sexta-feira por Trump, que apontou os meios de comunicação como “inimigos do povo norte-americano”.

“Se quisermos preservar a democracia tal qual a conhecemos, precisamos ter uma imprensa livre e, muitas vezes, adversária. Sem ela, temo que com o tempo perderíamos muitas das liberdades individuais. É assim que os ditadores começam”, afirmou McCain numa entrevista em Munique, onde participa de uma conferência de segurança na qual já criticou o turbulento funcionamento da Casa Branca de Trump.

Candidato derrotado à presidência pelo Partido Republicano em 2008, McCain disse que é importante “aprender as lições da história” e admitiu que “odeia” a imprensa, mas entende seu papel “vital”.

O senador McCain é um crítico frequente de Trump, especialmente em assuntos de segurança. Os atritos entre ambos são constantes há meses, mas desta vez suas declarações revelam a crescente inquietação do establishment republicano e de figuras respeitadas com o fato de Trump manter como presidente a mesma retórica incendiária que tinha como candidato.

Antes de entregar o cargo, o democrata Barack Obama defendeu a importância de uma imprensa robusta. Já Trump fez da mídia o seu maior inimigo desde que tomou posse, há um mês. A ofensiva coincide com a visão do seu estrategista-chefe, Steve Bannon, ex-editor do site Breitbart News, uma referência para a direita radical dos EUA, para quem o principal partido de oposição ao Governo Trump é “a imprensa”, e não o Partido Democrata.

Em um tuíte, o presidente escreveu nesta sexta-feira que “as notícias falsas da mídia falida (The New York Times, NBC, ABC, CBS, CNN) não são minhas inimigas, são inimigas do povo norte-americano”. Poucos minutos depois, também pelo Twitter, Trump acusou a mídia de divulgar informações “falsas” e “desonestas”.

No sábado, em um comício na Flórida, intensificou seus ataques. Falou dos “meios de comunicação desonestos” e os descreveu como “parte importante dos problemas deste sistema corrupto”.

As palavras de Trump continuam dando o que falar nos Estados Unidos. Os jornais The New York Times e The Washington Post recordaram neste fim de semana que o termo “inimigos do povo” havia sido usado pelo regime nazista para se referir aos judeus, e pela União Soviética para desmerecer seus rivais. “Nunca tinha sido pronunciado pelo líder do mundo livre. É mais um exemplo de como a presidência Trump realmente não tem precedentes na história dos EUA”, escreveu o Post.

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