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Morre Eugene Cernan, o último homem a pisar na Lua

O astronauta, uma das três pessoas a visitarem duas vezes a Lua, faleceu na segunda-feira

Eugene Cernan
Eugene Cernan, no Apolo 17

Eugene Cernan, o último homem que caminhou na Lua, morreu na segunda-feira, aos 82 anos, segundo informou a NASA em um comunicado. Cernan fez quase tudo o que se pode fazer no espaço. Começou sua trajetória, como muitos outros homens que visitaram nosso satélite, como piloto naval e de caças. Essa experiência lhe serviu para entrar no programa espacial norte-americano.

Sua primeira viagem ao espaço foi a bordo da cápsula Gemini 9. Nessa missão realizou um dos primeiros passeios espaciais do programa espacial dos Estados Unidos, uma experiência que se tornou complicada, mas que Cernan, depois de duas horas fora da nave, salvou graças à sua perícia.

Depois, foi protagonista de dois marcos no programa Apolo. Com Jim Lovell e John Young foi uma das três pessoas que viajaram duas vezes à Lua. A primeira ocasião, com a Apolo 10, representou a preparação da conquista definitiva daquele novo mundo. Em maio de 1969, Cernan pôs à prova todos os sistemas com os quais a Apolo 11 realizaria a incursão definitiva. Com Tom Stafford, testaram o módulo de aterrissagem sobrevoando a oito milhas náuticas da superfície lunar. Como em seu passeio espacial, sua missão não iria acabar sem um sobressalto. Com o sistema de orientação do módulo apontando na direção errada, os astronautas se viram girando sem controle durante vários segundos. No final, uma vez mais, o talento e o treinamento dos pilotos evitaram o desastre.

Seu último grande momento na carreira espacial foi como comandante da missão Apolo 17, em dezembro de 1972, a última visita humana à Lua. Aquela viagem bateu muitos recordes. Cernan, com seu colega Harrison H. Schmitt, permaneceu no satélite durante mais de três dias. Passaram quase um dia completo fora do módulo lunar e trouxeram à Terra mais de 100 quilos de material.

Charles Bolden, diretor da NASA, recordava nesta terça-feira como em sua última conversa com Cernan o astronauta lhe falou de seu desejo de inspirar os jovens de seu país a seguir carreiras de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, e a que “se atrevam a sonhar e explorar”. “Ele era único e todos nós na família da NASA sentiremos muita falta dele”, concluiu.

Quando deixou a Lua, Cernan fez um discurso esperançoso, falando também de um possível regresso que talvez nenhum dos que viajaram para lá viam: “Bob, aqui é Gene, estou na superfície, e como dói o último passo do homem nesta superfície, de volta para casa por algum tempo – mas não em um futuro muito distante--, simplesmente gostaria de dizer algo para a história. Este desafio americano de hoje forjou o destino do homem de amanhã. E ao sair da Lua em Taurus-Litrow [vale lunar onde estavam trabalhando], partimos como viemos e, se Deus quiser, como voltaremos, com paz e esperança para toda a humanidade. Que Deus acompanhe a tripulação da Apolo 17”.

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