O irmão Justiniano

Aprender a ler é o que de mais importante me aconteceu na vida. Agora que, por culpa do isolamento, leio do amanhecer ao anoitecer, aqueles dias voltam à minha memória com os fantasmas desvanecidos

Menina lê dentro de casa em Lavau-sur-Loire, na França, durante quarentena.
Menina lê dentro de casa em Lavau-sur-Loire, na França, durante quarentena.LOIC VENANCE / AFP

Lembro com exatidão as dez quadras que existiam entre a casa dos Llosa, na rua Ladislao Cabrera, e o colégio La Salle. Eu tinha cinco anos e, sem dúvida, estava muito nervoso. Naquele dia, o meu primeiro no colégio, eu as percorri com minha mãe, que até me acompanhou à classe e me deixou aos cuidados do irmão Justiniano. Ele me apresentou aos que seriam meus amigos cochabambinos a partir de então: Artero, Román, Gumucio, Ballivián. O mais querido deles, Mario Zapata, o filho do fotógrafo que havia documentado todos os c...

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