Crise nos EUA

Washington se blinda contra a ameaça de violência

Medidas de segurança para a posse de Biden incluem a mobilização de 20.000 militares, fechamento do metrô e cordões de isolamento em parques e edifícios públicos

Membros da Guarda Nacional nos arredores do Capitólio, nesta quinta-feira
Membros da Guarda Nacional nos arredores do Capitólio, nesta quinta-feiraJUSTIN LANE / EFE

O centro de Washington parece uma fortaleza. Os terrenos da Casa Branca e do Capitólio estão isolados por cercas de três metros de altura e protegidos por um imponente contingente da Guarda Nacional. Há caminhões militares circulando, e nos pontos de ônibus cartazes expõem o rosto de alguns dos participantes da invasão do Congresso em 6 de janeiro, agora procurados pelo FBI.

Pesados blocos de concreto impedem a passagem em algumas ruas, e entre esta sexta-feira e a quarta que vem, quando o Joe Biden toma posse como presidente, todos os estacionamentos da região permanecerão bloqueados. Num esforço para dissuadir os seguidores de Donald Trump que pretendem viajar à capital para protestar, o Airbnb cancelou todas as reservas na cidade, e as principais linhas de metrô da área restringida ficarão fechadas até a próxima quinta-feira.

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Na capital do poder, a posse de um presidente habitualmente é uma festa. A imagem do primeiro dia de um mandatário dirigindo-se a milhares de cidadãos em frente ao Capitólio constitui uma espécie de rito de iniciação. Mas neste ano, com a ameaça de novos ataques organizados por grupos de extrema direita, a foto a ser deixada pela posse de Biden será completamente diferente das registradas nas últimas décadas.

Mais de 20.000 militares se encarregarão da segurança para apoiar o corpo policial do Capitólio depois da “grave falha sistêmica” ― nas palavras da Comissão de Orçamento da Câmara de Representantes (deputados), dirigida por democratas ― que permitiu que uma turba de trumpistas invadisse o Congresso durante a cerificação da vitória de Biden, na semana passada. A isso se somam as advertências do FBI e do Pentágono sobre novas revoltas no dia da posse de Biden e sua vice, Kamala Harris. Entre as medidas incisivas que estão sendo adotadas para reforçar a segurança na capital norte-americana, a mais recente é que o National Mall, a esplanada monumental que separa o Capitólio da Casa Branca, e onde o público costuma se reunir durante o discurso da posse, ficará fechado na quarta que vem. Quem quiser ouvir Lady Gaga cantando o hino nacional ou assistir à atuação de Jennifer Lopez deverá se contentar com o streaming de vídeo. A pandemia e os alertas de segurança marcarão essa histórica jornada.

O FBI advertiu para possíveis protestos armados em Washington e nos 50 Capitólios estaduais durante os dias prévios à posse de Biden. A polícia federal dos EUA insistiu na quarta-feira aos chefes de polícia de todo o país para que se mantenham em alerta máximo e compartilhem informações de inteligência sobre qualquer ameaça que encontrarem. O diretor do FBI, Christopher Wray, e Kenneth Cuccinelli, subsecretário interino do Departamento de Segurança Nacional, comunicaram a seus subordinados que há risco de ataques a edifícios federais, residências de parlamentares e empresas.

O Centro Nacional do Contraterrorismo e os Departamentos de Justiça e Segurança Nacional emitiram nesta semana um boletim em que advertiam que as cinco mortes durante a insurreição da semana passada poderiam ser um “importante motor de violência” para milícias armadas que apoiam Trump. Os extremistas, buscando desencadear uma guerra racial, “podem aproveitar as sequelas do assalto ao Capitólio e realizar ataques que desestabilizem e forcem a um conflito culminante nos Estados Unidos”, advertia a mensagem. O violento episódio da semana passada deixou no olho do furacão as forças de segurança encarregadas de proteger o Congresso. O chefe da Polícia do Capitólio e outros dois altos funcionários de segurança pediram demissão depois da invasão, três oficiais foram suspensos, e 17 outros estão sob investigação.

Depois dos acontecimentos de 6 de janeiro, os simpatizantes de Donald Trump planejam viajar novamente à capital para participar da chamada Marcha do Milhão de Milícias, em 20 de janeiro. As autoridades locais pediram aos cidadãos que evitem viagens à capital depois dos distúrbios da semana passada. Entre esta sexta e a próxima quinta, 13 estações de metrô dentro do perímetro de segurança do centro deixarão de operar, e as linhas de ônibus no bairro serão alteradas. Todos os estacionamentos na área restringida permanecerão bloqueados, e os carros que ainda estiverem parados neles só poderão se deslocar depois da posse.

“Claramente, estamos em terreno desconhecido, e é muito importante que trabalhemos com todos os nossos sócios para controlar estes eventos e essas áreas da nossa cidade”, afirmou na quarta-feira a prefeita de Washington, Muriel E. Bowser, insistindo em solicitar aos viajantes que não visitem a cidade na próxima semana.

Várias organizações de ativistas de Washington, incluído o Black Lives Matter, pediram aos hotéis da região que fechassem antes da posse, num sinal aos partidários de Trump de que “os supremacistas brancos NÃO SÃO BEM-VINDOS em [Washington] D.C.!”, segundo a mensagem enviada. Os diretores de vários hotéis estão discutindo se adotam essa medida, já adotada pelo Airbnb, segundo um executivo do setor que falou sob anonimato ao jornal The Washington Post.

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