Messi: “Deus guardou este momento para mim”

A vitória da Argentina sobre o Brasil na final da Copa América 2021, no Maracanã, faz justiça a uma trajetória brilhante do capitão alviceleste, que celebra o título após muitas tristezas

Os jogadores da Argentina lançam Messi ao ar após o triunfo sobre o Brasil no Maracanã.
Os jogadores da Argentina lançam Messi ao ar após o triunfo sobre o Brasil no Maracanã.Andre Coelho (EFE)
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Era o momento com o qual Lionel Messi há muito tempo sonhava. “Precisava me livrar do espinho de ser capaz de conseguir algo com a seleção. Estive muito perto por muitos anos. Sabia que em algum momento isso ia acontecer. Agradeço a Deus por me dar este momento contra o Brasil na final e em seu país. Acho que este momento estava guardado para mim”, celebrou o atacante e capitão da Albiceleste, após conduzir a Argentina à vitória sobre o Brasil na final da Copa América 2021, no Maracanã, neste que foi seu primeiro grande título com a seleção. “É uma loucura! A felicidade que sinto é inexplicável! Muitas vezes saí triste [do campo], sabia que uma vez isso ia acontecer, não havia momento melhor. Esta equipe merecia de verdade, é algo impressionante”, completou.

A vitória sobre o Brasil em seu campo mais simbólico, o Maracanã (no Rio de Janeiro) fez justiça ao craque argentino, considerado um dos melhores jogadores da história, mas que era assombrado por não ter conduzido sua principal seleção a nenhum título ―embora ele tenha sido campeão olímpico em 2008. Os jornais argentinos classificaram o episódio como Maracanazo, numa espécie de redenção de uma seleção que por tantas vezes chegou tão perto, mas bateu na trave. Entre lágrimas, Messi telefonou do campo para exibir seu troféu à família. “Sonhei muitíssimas vezes com isto. Dedico à minha família, minha mulher, meus filhos, meus velhos, meus irmãos, que muitas vezes sofreram, como eu ou pior. Sempre tivemos de sair de férias e passar vários dias tristes, sem ganhar nada, e desta vez é diferente”, desabafou o argentino, que abraçou Neymar, que também estava entre lágrimas, após o jogo.

“Confiava muito neste grupo, que se fortaleceu muito desde a última Copa América, onde fez muitas coisas boas. Um grupo de pessoas muito boas que sempre seguem em frente, que nunca se queixaram de nada, foram muitos dias trancados, sem poder ver a família, mas o objetivo era claro. Conseguimos, pudemos ser campeões e a felicidade é imensa. Disse a eles que eram o futuro da seleção e não me enganei, eles me mostraram ganhando esta Copa. Nós trabalhamos juntos há muito tempo, é um grupo de rapazes espetaculares, me sinto muito feliz por fazer parte deste grupo, gostei muito destes 45 dias e tudo termina de forma impressionante com a consagração”, acrescentou o camisa 10, que completou 34 anos durante o período de concentração.

Glória para Messi e honra para Ángel Di María. O jogador argentino triturou as esperanças do Brasil de vencer a Copa América no Maracanã com um gol ainda no primeiro tempo. Rodrigo De Paul, o jogador revelação da alviceleste, orquestrou a jogada que devolveu a alegria à Argentina. O meio-campista inverteu o jogo com um lançamento nas costas da defesa brasileira. O lateral Renan Lodi não conseguiu desviá-lo e a bola ficou com Di María. “Ainda não consigo chorar, ainda não caiu a ficha. Sonhamos tanto em conseguir isso, lutamos tanto. Messi me disse que era a minha final”, disse o jogador do PSG após o jogo. El Fideo ―apelido de Di María― ganhou o prêmio de melhor jogador da partida.

A Argentina marcou aos 22 minutos e foi um golpe que colocou o Brasil na lona. “Disseram-me que o lateral [Lodi] às vezes dormia um pouco na marcação e, bem, saiu perfeito”, acrescentou Di María. A seleção canarinha, impulsionada por Neymar, se levantou. Tentou romper o cerco alviceleste, mas não conseguiu. Emiliano Martínez e a zaga argentina resistiram às oportunidades de Neymar, Gabigol e Casemiro. “Depois de muito esforço, chegou este momento, este Maracanazo”, disse Martínez após o jogo. O goleiro cresceu na semifinal ao pegar três pênaltis contra a Colômbia. No Rio de Janeiro, conseguiu suportar a pressão para frustrar os brasileiros.

“Foi uma Copa América muito difícil. Felizmente conseguimos ganhar. Estou convencido de que qualquer treinador no meu lugar teria feito a mudança de geração. Estes garotos dão tudo toda vez que entram em campo”, disse o técnico Lionel Scaloni. Nesta Argentina campeã, foram mantidos alguns dos pilares que levaram o país a disputar a final da Copa do Mundo contra a Alemanha em 2014: Lionel Messi, Sergio Agüero e Ángel Di María. “Há gente nova, há garotos com fome, viemos empurrando”, lançou Lautaro Martínez, o camisa nove do amanhã da Argentina. “Agradeço a Lio [Messi], Kun [Agüero], Fideo [Di María] e a toda essa cria que nos recebeu tão bem”, disse o zagueiro-central Cristian Romero.

Di María e os demais argentinos correram direto na direção de um eufórico Lionel Messi. Todos os da albiceleste queriam que La Pulga ganhasse seu primeiro título com a Argentina aos 34 anos. Messi, como Luis Suárez depois de ganhar a Liga espanhola com o Atlético, sentou-se no gramado para conversar por videochamada com sua família.

A incerteza ainda paira sobre Messi e o Barcelona. O contrato com o atacante no Barça expirou em 30 de junho. Joan Laporta, presidente do clube, busca resolver o quebra-cabeça contratual para manter o argentino na equipe. As dificuldades para a assinatura são de natureza “financeira, econômica e tributária”. O Barcelona tem o desafio de reduzir a folha de pagamento do elenco, encaixar o salário do argentino para ter o sinal verde por parte da LaLiga.

Uma das promessas de campanha de Laporta foi a renovação do contrato de Messi. O astro argentino foi às urnas nas eleições do clube em março. Foi a primeira vez desde sua chegada, em 2001, que o jogador votou. As conversas entre Laporta e Jorge Messi, pai e representante do jogador, começaram em abril. “O que não se leva em consideração é que Lio está livre para negociar com outro clube desde janeiro e não o fez”, disse uma fonte dos escritórios do Camp Nou a este jornal. Até o momento não há fumaça branca, mas celebração do camisa 10 argentino com seus velhos amigos. “Isto é mais do que sonhamos. Ser campeão no Maracanã contra o Brasil supera todo tipo de expectativa. Messi precisava de todos e nós precisávamos dele. É o melhor de todos os tempos”, sentenciou De Paul. La Pulga voltou a ser feliz.


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