Jogos Olímpicos

Avanço do coronavírus no Japão leva organizadores a vetar público nas Olimpíadas de Tóquio

Decisão é tomada depois de o Governo japonês prorrogar nesta quinta-feira o estado de emergência na capital do país por causa do aumento dos contágios

Publicidade dos Jogos Olímpicos de Tóquio no Parque Olímpico.
Publicidade dos Jogos Olímpicos de Tóquio no Parque Olímpico.ISSEI KATO / Reuters
Inma Bonet Bailén

Não haverá, afinal, público nos Jogos de Tóquio. Faltando duas semanas para que a chama seja acesa na pira dos Jogos da XXXII Olimpíada, os organizadores da competição poliesportiva decidiram proibir a presença do público no evento, a pedido das autoridades da saúde e de um amplo segmento da opinião pública. A decisão, anunciada pela ministra para os Jogos, Tamayo Marukawa, foi divulgada depois que o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, declarou nesta quinta-feira um novo estado de emergência para Tóquio, o quarto desde o início da crise sanitária causada pelo novo coronavírus.

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A variante delta do vírus —detectada pela primeira vez na Índia e altamente contagiosa— vem provocando novo aumento das infecções na capital japonesa desde o final de junho e já responde por dois terços do total dos contágios registrados no Japão. Diante da possibilidade de um novo surto em grande escala na cidade de Tóquio, o Governo Japonês, o Comitê Organizador dos Jogos, o Comitê Olímpico Internacional (COI), o Comitê Paralímpico Internacional e a autoridade metropolitana de Tóquio se reuniram nesta quinta-feira para reavaliar a decisão tomada no mês passado de permitir uma lotação máxima de 10.000 espectadores ou se essa quantidade de pessoas seria revista. Em março já havia sido vetada a presença de espectadores estrangeiros e, agora, está confirmado que os japoneses também não poderão comparecer ao evento esportivo.

O limite de 10.000 pessoas fora estabelecido em conformidade com a política do Governo Suga de restringir o número de espectadores em grandes eventos a 50% da capacidade do local e com a premissa de que o município de Tóquio não estivesse em estado de emergência. A previsão era de que a capital japonesa encerrasse no domingo passado algumas medidas “quase emergenciais” adotadas em junho, mas, depois de 920 novas infecções covid-19 registradas na quarta-feira (o maior número desde 13 de maio, quando, em meio à quarta onda, foram computados 1.010 casos), o Governo decidiu dar um passo atrás e decretar o estado de emergência de 12 de julho a 22 de agosto. Os Jogos serão realizados integralmente nesse período.

A proibição da presença de torcedores nas competições é o último golpe para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, adiados por um ano por causa do início da pandemia e cuja organização se tornou uma autêntica corrida de obstáculos. A medida, porém, era dada como certa.

Na terça-feira o jornal Asahi Shimbun antecipou que tudo apontava para o fato de que na cerimônia de abertura em 23 de julho no Estádio Nacional somente os membros de honra poderiam assistir ao show inaugural e ao desfile: basicamente, membros do COI, da “família olímpica” e altos funcionários.

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Além disso, no início da semana as autoridades de Sapporo, cidade que sediará entre 5 e 8 de agosto as provas de marcha olímpica, de 20 e 50 quilômetros, e a maratona, orientaram os cidadãos a não comparecerem a essas competições em razão do alto risco de aumento dos contágios de covid-19. A região da qual Sapporo é a capital, Hokkaido, permanece em estado de emergência e, de acordo com a agência de notícias local Kyodo News, seu governador, Naomichi Suzuki, tinha pedido aos promotores das competições que impusessem restrições para evitar que milhares de pessoas se aglomerassem pelas ruas por onde os atletas passarão. O Comitê Organizador dos Jogos de Tóquio já havia concordado na terça-feira com as autoridades de Sapporo e Hokkaido em limitar os movimentos da população para minimizar os riscos de infecção.

O revezamento da tocha, que começou no final de março na prefeitura de Fukushima, no nordeste do país, chega a Tóquio nesta sexta-feira também em meio a novas restrições. O Governo metropolitano anunciou que as ruas principais dos bairros centrais foram excluídas do trajeto da chama olímpica e que não será permitida a presença de espectadores em nenhuma área, exceto nas ilhas. Cerca de 1.300 portadores da tocha inicialmente convocados não participarão do percurso pela capital japonesa. A alteração envolverá a realização de pequenas cerimônias a portas fechadas para a transferência do fogo olímpico.

Apesar de o COI e o Comitê Organizador terem insistido no compromisso de que o evento seja realizado com garantias de segurança, o recente aumento de casos continua provocando mais ceticismo entre os japoneses, que questionam a relevância de dois eventos (os Jogos Olímpicos e os Paralimpicos) de tal magnitude em uma situação tão adversa. Pesquisadores do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas calculam que, se medidas rígidas não forem decretadas, os casos diários dispararão para mais de 1.500 no final de julho e para 2.000 em agosto, o que pode causar a saturação do sistema de saúde.

Prevê-se a participação de 11.000 atletas olímpicos e 4.400 paralímpicos de 200 países e, de acordo com os organizadores, 80% dos atletas e esportistas estarão vacinados. Até o momento, mais de 50 milhões de doses foram administradas no Japão. No total, apenas 14,51% da população está totalmente vacinada.

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