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Variante delta e gargalo global nas cadeias de fornecimento freiam recuperação econômica dos EUA

PIB do país cresceu 0,5% entre julho e setembro, quatro pontos a menos que no semestre anterior, enquanto o aumento do consumo ficou em 1,6%

economía en Estados Unidos
Contêineres à espera de serem descarregados no porto de Long Beach (Califórnia), em 1º de outubro.Jae C. Hong (AP)

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A variante delta do coronavírus e o grande gargalo global das cadeias de abastecimento desaceleraram o crescimento da economia dos Estados Unidos no terceiro trimestre do ano. O PIB da primeira potência mundial cresceu a uma taxa anualizada de 2% entre julho e setembro (0,5% trimestral), mais de quatro pontos a menos que nos dois trimestres anteriores, por causa da estagnação dos fatores que haviam alavancado o PIB na primeira metade do ano: a injeção federal de estímulos, o ritmo generalizado de reabertura de empresas e o aumento dos índices de vacinação.

A freada é notória. O PIB cresceu a uma taxa interanual histórica de 6,3% no primeiro trimestre do ano e 6,7% no segundo, graças aos cheques de estímulo do plano de resgate da pandemia firmados pelo presidente Joe Biden. Durante a primavera, a recuperação da atividade econômica generalizada e o aumento das taxas de vacinação fizeram pensar que a pandemia havia ficado definitivamente para trás. Mas o nível de contágio da variante delta do vírus, multiplicada pela resistência de uma porcentagem considerável da população a se vacinar, semeou dúvidas sobre a retomada já no verão. Dois fatores adicionais, que eclodiram neste último trimestre, contribuíram para a desaceleração: o aumento do número de casos de covid-19 e a congestão global da cadeia de abastecimento.

O consumo, grande indicador do otimismo e dos temores de uma economia, desacelerou-se a uma taxa interanual de 1,6% no terceiro trimestre, muito abaixo dos 12% registrados nos três meses anteriores. A taxa mostra a queda dos gastos em bens não perecíveis, cuja disponibilidade foi limitada por uma redução da oferta. O gargalo nos portos e a interrupção das cadeias de produção e distribuição dispararam a inflação e frustraram as previsões de expansão, embora os analistas esperem que a economia volte a recuperar seu crescimento no último trimestre, que coincide com a temporada de compras e deslocamentos mais intensa do ano.

Se os problemas logísticos forem superados, os consumidores poderão salvar a temporada de Natal, segundo as previsões, graças ao aumento dos salários e às economias acumuladas em três rodadas de estímulos federais (duas aprovadas sob o mandato de Trump, e a terceira, no plano de resgate de Biden). Os norte-americanos economizaram a uma taxa anualizada de 1,7 trilhões de dólares (9,57 trilhões de reais) em agosto, frente a 1,4 trilhões de dólares (7,9 trilhões de reais) em fevereiro de 2020, segundo o Departamento de Comércio.

A relativa freada do crescimento não impediu que a abertura do pregão da Bolsa mostrasse uma tendência de alta, à espera da apresentação dos resultados, ao longo do dia, da Apple e da Amazon, entre outras empresas importantes. Enquanto isso, os pedidos de seguro-desemprego dos trabalhadores caíram na semana passada ao patamar mais baixo desde o início da pandemia. O número de benefícios por desemprego diminuiu para 281.000 na semana passada, em comparação com os 291.000 registrados na semana anterior, informou nesta quinta-feira o Departamento de Trabalho.

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