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BC dos EUA não mexe nos juros enquanto Copom eleva taxa brasileira pela primeira vez desde 2015

Federal Reserve estima que PIB norte-americano crescerá 6,5% em 2021 com taxa inflação 2,4%. No Brasil, Copom eleva a Selic a 2,75% ao ano

Jerome Powell, presidente de la Reserva Federal
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em dezembro de 2019 em Washington.JOSHUA ROBERTS (Reuters)
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Presidente do Banco Mundial: “A crise deve ser vista como depressão econômica. A dúvida é quanto vai durar”

O Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) apresentou nesta quarta-feira suas projeções econômicas para 2021. Depois de meses de cautela, o horizonte de rápida recuperação da pandemia, graças ao plano de estímulo de 1,9 trilhão de dólares (cerca de 10,61 trilhões de reais) do presidente Joe Biden e ao bom ritmo da vacinação levou a um cauteloso otimismo na instituição, que melhorou as previsões de crescimento de um país em que o consumo já se encontra em um nível semelhante ao de antes da pandemia: o PIB crescerá 6,5% em 2021. O principal risco que paira sobre a segunda economia do mundo agora é a inflação. Mesmo assim, Jerome Powell, presidente do Fed, anunciou que as taxas de juros continuarão no patamar mínimo (a taxa de referência permanece na faixa entre 0% e 0,25%).

No Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro foi no sentido contrário. O comitê considerou que a escalada da crise de saúde no país eleva a incerteza sobre a economia e decidiu subir a taxa básica de juros para 2,75% ao ano —aumento de 0,75 ponto percentual, o primeiro em seis anos― para frear a alta da inflação. “O PIB encerrou 2020 com crescimento forte na margem, recuperando a maior parte da queda observada no primeiro semestre, e as expectativas de inflação passaram a se situar acima da meta no horizonte relevante de política monetária”, acrescentou o documento do Copom. A expectativa da inflação brasileira para 2021 apuradas pela pesquisa Focus do BC, que ouve um conjunto de instituições financeiras, é em torno de 4,6%, acima da meta fixa em 3,75%.

A alteração na chamada Selic, a taxa de juros básica do Brasil, era esperada pelo mercado, mas com uma variação menor e o comitê ainda antecipou que pode fazer uma nova elevação em maio. “Os membros do Copom consideram que o cenário atual já não prescreve um grau de estímulo extraordinário [com juros baixos]”, explica o comunicado do BC. Analistas, no entanto, avaliam que a lentidão da vacinação no Brasil e a ausência do auxílio emergencial no primeiro trimestre ―um panorama contrário ao norte-americano― possam derrubar ritmo da recuperação econômica.

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‘Boom’ de consumo nos EUA

Nos EUA, o Fed prevê para este ano, além do crescimento mais pronunciado, uma taxa de desemprego de 4,5%, e uma inflação ligeiramente superior (2,4%, quatro décimos acima do que Jerome Powell vinha afirmando há meses), sem alterações nas projeções para 2022 e 2023. O temor de uma retomada da inflação, devido ao previsível boom do consumo na primavera e no verão, quando teoricamente a maioria da população norte-americana estará vacinada —quase 2,5 milhões de doses estão sendo administradas por dia—, levantava dúvidas na maioria dos analistas. “Alguns economistas alertaram que um excesso de estímulo poderia provocar uma sobrecarga na economia. Estes mencionaram inclusive os riscos crescentes de que a inflação volte a níveis não vistos desde os anos setenta, o que poderia obrigar o Fed a aumentar as taxas muito antes do que muitos esperam, talvez já no próximo ano. “Acreditamos que os riscos práticos de um episódio inflacionário no estilo dos anos setenta são relativamente baixos, inclusive se a magnitude do gasto for grande em comparação com o tamanho atual do hiato de produção. Por isso, o mais importante é que se concentrar excessivamente nas preocupações com a inflação pode acabar deixando de lado as questões relacionadas à estabilidade financeira que têm uma maior probabilidade de afetar os mercados”, avaliou Tiffany Wilding, economista da empresa de gestão de investimentos norte-americana PIMCO.

De um ano para cá, depois da declaração da pandemia e do fechamento quase total da atividade econômica, o Fed manteve viva a economia dos Estados Unidos graças ao respirador artificial representado pela compra mensal de 120 bilhões de dólares em títulos do Tesouro e empréstimos com garantia hipotecária, uma política que manteve o crédito barato e ajudou a economia a resistir ao ataque de um vírus que destruiu 10 milhões de empregos. Ao longo de 2020, seus responsáveis reiteraram que continuarão nesse ritmo até verem um progresso econômico “substancial”, razão pela qual da reunião também se esperava uma definição mais precisa de quanto e quando se considera “substancial”. Não parece provável esperar mudanças, pelo menos no curto e médio prazo.

Na semana passada, o rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos ultrapassou a marca de 1,60%, e nesta quarta-feira subiu para 1,67%, o nível mais alto desde fevereiro de 2020. As ações de Wall Street acompanharam a queda nos preços dos títulos, lideradas pelo setor de tecnologia. O S&P 500 caía 0,4% em Nova York, enquanto o índice tecnológico Nasdaq perdia mais de 1% na abertura da sessão de quarta-feira. Depois do anúncio das previsões do Fed para 2021, ambos os índices reduziram as perdas.

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