Desemprego nos EUA chega a 14,7%, o mais alto em 70 anos

País perdeu 20,5 milhões de postos de trabalho em abril, segundo o primeiro relatório oficial que captura o impacto completo da pandemia

Pablo Guimón
Washington -
Cidadãos fazem fila para receber comida grátis no Brooklyn, Nova York.
Cidadãos fazem fila para receber comida grátis no Brooklyn, Nova York.JUSTIN LANE (EFE)
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Os Estados Unidos registraram em abril um índice de desemprego de 14,7%, o mais alto em mais de 70 anos , devido à pandemia do coronavírus, da qual o país se tornou o epicentro. Há décadas o dado de desemprego não gerava tanta expectativa, e ele é tão ruim quanto se esperava ― o pior desde que os registros começaram a ser feitos, em 1948. Apenas dois meses antes, em fevereiro, o desemprego alcançava um mínimo histórico de 3,5%.

Até 20,5 milhões de pessoas perderam seu emprego em abril, segundo os dados do Departamento de Emprego publicados nesta sexta-feira. A pandemia ceifou em um só mês todos os postos de trabalho gerados depois da grande crise econômica de 2008 e 2009. Durante aquela crise, os Estados Unidos perderam 8,7 milhões de empregos, e em outubro de 2009 o índice de desemprego atingiu um pico de 10%. Aquela era a pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. Agora, a perda é o dobro, e em apenas um mês.

O pavoroso impacto da pandemia no emprego transparece a cada semana, há quase dois meses, nas cifras de solicitações de seguro-desemprego: mais de 33 milhões nas últimas sete semanas. Mas os dados desta sexta-feira, os do desemprego no primeiro mês inteiro afetado pelas medidas de restrição de atividade impostas pela pandemia, oferecem um quadro mais completo, pois procedem de informações de lares e empresas. Isso permitirá aos especialistas compreender melhor como se dará a recuperação da economia depois da revogação das medidas de confinamento.

O resultado de abril apaga de uma só vez uma das grandes histórias positivas do período de crescimento excepcionalmente longo que se seguiu à Grande Recessão (na década de 30) e que a pandemia do coronavírus interrompeu abruptamente. Nos últimos 12 anos, os dados de emprego entre as minorias étnicas tinham melhorado substancialmente, algo que o presidente Donald Trump gosta de alardear. Mas a já chamada Grande Reclusão tampouco respeitou isso. O desemprego entre os hispânicos dispara para 18,9%, e entre os afro-americanos sobe para 16,7%. Entre os brancos, ficou em 14,2%.

Já nos dados de março se notava o impacto nos setores da hotelaria e turismo, mas em abril o efeito é muito mais generalizado. No relatório publicado nesta sexta, o setor da hotelaria continua sendo o mais afetado, com 7,7 milhões de empregos perdidos. Mas o comércio varejista perde 2,1 milhões; a indústria, 1,3 milhão; e inclusive o setor público fechou quase um milhão de vagas.

Entre os poucos aspectos positivos está o fato de que 78,3% dos pesquisados qualificou sua perda de emprego como temporária, enquanto apenas 11,1% responderam ser permanente. Trata-se de um dado excepcionalmente alto, a maior taxa de demissões temporárias desde a década de 1960. Em março, apenas 25,5% dos desempregados qualificaram sua demissão como temporária. Isso indica que muitos empregos poderiam voltar quando a economia reabrir e, portanto, que a recuperação pode ser mais rápida. Assim antecipou Trump durante uma entrevista à Fox News na manhã desta sexta. “Todos esses empregos voltarão, e voltarão muito em breve”, afirmou. Mas uma piora do panorama econômico poderia transformar muitas dessas demissões temporárias em permanentes.

Governos de todo o mundo decidiram praticamente congelar suas economias para frear a propagação do coronavírus, que já infectou mais de 1,2 milhão de pessoas nos Estados Unidos e provocou mais de 75.000 mortes. O desabamento repentino da demanda causou uma onda de milhões de demissões, a um ritmo sem precedentes, o que obrigou milhões de trabalhadores a recorrerem pela primeira vez às ajudas do Estado e a deixarem de pagar suas contas.

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