Investigação conclui que Plácido Domingo assediou mulheres sexualmente e abusou de seu poder

Tenor aceita “toda a responsabilidade” pelas acusações em um comunicado e pede perdão pela “dor” que causou

Plácido Domingo em uma imagem de dezembro.
Plácido Domingo em uma imagem de dezembro.Mònica Torres
Agencias

Uma investigação do sindicato dos EUA que representa os artistas de ópera concluiu que o tenor Plácido Domingo assediou mulheres sexualmente e abusou de seu poder quando era diretor da Ópera Nacional de Washington e da de Los Angeles, informou nesta terça-feira a agência The Associated Press. O músico espanhol pediu perdão às mulheres que o acusam pela “dor” que lhes causou e disse que aceita “toda a responsabilidade” pelas ações denunciadas nos últimos meses.

Os advogados contratados pelo sindicato determinaram um padrão claro de comportamento sexual inadequado e abuso de poder por Domingo durante pelo menos duas décadas, segundo as fontes consultadas, sob condição de anonimato, pela agência.

Entre setembro e o final de dezembro, os advogados ouviram 55 pessoas, segundo fontes próximas à investigação. Delas, 27 afirmaram ter presenciado ou sido vítimas de um comportamento sexualmente inadequado por parte do artista nos anos 1990 e 2000, e outras 12 disseram que estavam a par de sua reputação, assinalando que era algo conhecido nas companhias de ópera.

Em um comunicado enviado à Europa Press, Plácido Domingo mostrou respeito por suas colegas de profissão, que em agosto de 2019 “se sentiram suficientemente à vontade para falar” do que ocorreu. “Entendo agora que algumas dessas mulheres pudessem ter medo de se expressar honestamente porque temiam que suas carreiras fossem afetadas”, reconheceu.

Depois de “dedicar algum tempo nos últimos meses” para analisar as acusações, o tenor espanhol explicou que “cresceu com esta experiência”. E acrescentou: “Embora não tenha sido minha intenção, ninguém deveria se sentir assim nunca”.

Plácido Domingo afirmou que está “comprometido” em promover uma mudança “positiva” na indústria da ópera para que “ninguém tenha de passar pela mesma situação. “Meu desejo fervoroso é que isto resulte em um espaço mais seguro para trabalhar, e espero que meu exemplo [de arrependimento e de tentar melhorar as coisas] incentive outros a seguir meus passos”, assinalou.

Quando as denúncias contra Plácido Domingo começaram a aparecer, ele negou todas as acusações, afirmando que o “abuso” de seu cargo de direção dentro da estrutura administrativa das Óperas de Washington e de Los Angeles, onde trabalhou, era “impossível e inconcebível”.

“Os muitos que trabalharam comigo sabem que nunca me comportei de forma assediadora, agressiva e vulgar como me acusaram”, declarou o artista em novembro, alegando que, depois de mais de meio século de vida pública, a pessoas “deveriam conhecê-lo de sobra”.

A do sindicato é primeira de duas investigações independentes iniciadas depois que várias mulheres acusaram Domingo de assédio sexual e abuso de poder. A segunda, que ainda não foi concluída, foi lançada pela Ópera de Los Angeles, que Domingo dirigiu de 2003 até outubro, quando renunciou ao cargo.

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