Pandemia de coronavírus

Como saber se tenho covid-19, gripe ou resfriado?

As três doenças têm sintomas parecidos, e por isso pode ser difícil diferenciá-las

Homem pinta muro com campanha de combate à covid-19 em Jacarta, em 27 de agosto.
Homem pinta muro com campanha de combate à covid-19 em Jacarta, em 27 de agosto.BAY ISMOYO / AFP
MARÍA ELISA CALLE

Entre o resfriado, a gripe e a covid-19, o resfriado é a doença mais leve. Seus sintomas mais característicos são a aparição de congestão nasal e essa sensação de estar febril, mas sem que o termômetro suba, ou pelo menos não suba muito. E sobretudo provoca tosse com expectoração, essa tosse que poderíamos chamar de úmida. Em suma, seus sintomas são os que todos conhecemos: os mais habituais são congestão nasal, olhos lacrimejando e, às vezes, dor de garganta. Poderíamos dizer de alguma forma que não há resfriado sem coriza. Essa doença é leve, normalmente sara sozinha em dois ou três dias, inclusive porque não há tratamento para curá-la, apenas para paliar os sintomas. Muitos resfriados são provocados por um coronavírus, mas não pelo que causa a covid-19, chamado SARS-Cov-2, e sim por outros vírus dessa mesma família e que já eram conhecidos antes que aparecesse o causador da pandemia. Durante algum tempo, no princípio da epidemia, pensou-se por essa razão que era possível que algumas pessoas —sobretudo crianças, mais propensas a resfriados— tivessem anticorpos contra o SARS-Cov-2. Depois se comprovou que não é assim.

Quanto à gripe e a covid-19, são mais difíceis de distinguir, porque a sintomatologia é muito parecida. As duas têm ou podem ter tosse seca, as duas causam febre alta e mal-estar geral. A única diferença importante é que na covid-19 é muito frequente a anosmia (ausência de olfato). Inclusive muitos doentes leves de covid-19 têm como único sintoma essa perda do olfato. Na covid-19 também é muito mais frequente a sensação de cansaço, uma fadiga extrema relatada por muitos pacientes. E na gripe são mais habituais as dores musculares generalizadas. Mas, de resto, a sintomatologia é muito semelhante. Outra diferença pode ser que a gripe começa mais bruscamente, enquanto a covid-19 costuma aparecer mais lentamente. Nela a pessoa se contagia e um dia está um pouquinho mal, no dia seguinte um pouco pior, no outro ainda pior, e então é quando aparece a febre alta e a sensação de cansaço. E costuma ser acompanhada da já mencionada perda de olfato. Na gripe tudo é muito mais repentino —você acorda certo dia e percebe: “Estou péssima, tudo me dói”. As duas podem causar diarreia. Vômitos não são habituais, mas ambas as doenças podem provocar náuseas.

São tão parecidas que inclusive para os médicos de postos de saúde é muito difícil distinguir uma da outra. A única forma segura é a utilização de algum exame de diagnóstico: um de antígenos rápidos ou um PCR que detecte se o que a pessoa tem é covid-19.

Se você tiver sintomas e está na dúvida se é gripe ou covid-19, o primeiro a fazer é observar a evolução. Se você tiver mal-estar e depois começar com tosse forte, febre e sensação de cansaço, o melhor procurar um serviço de saúde e pedir um exame para confirmar ou descartar o coronavírus.

E também é muito importante preveni-lo. Não devemos nos esquecer das normas de higiene que seguíamos quando a pandemia começou. Na primeira onda, todos perguntávamos e procurávamos seguir as recomendações. Agora parece que as esquecemos, mas continuam sendo igualmente importantes. Se você sair à rua, deve fazer uma série de coisas ao voltar para casa: por exemplo, desinfetar as rodas do carrinho de compras; deixar os sapatos fora; lavar as mãos (isso é importante fazer com muita frequência) e lavar a roupa, sobretudo a das crianças. E o bom destas normas de higiene é que, além de nos proteger da covid-19, também nos protegem da gripe.

E, além disso, não nos esqueçamos da conveniência de nos vacinarmos contra a gripe, sobretudo se estivermos em um grupo de risco: maiores de 60 anos, diabéticos, hipertensos, cardiopatas ou pacientes de câncer, além de crianças e grávidas no segundo trimestre da gestação.

María Elisa Calle é professora titular da Faculdade de Medicina da Universidade Complutense de Madri, especialista em epidemiologia e medicina preventiva.

Pergunta enviada por e-mail por P. Fernández para a seção Elas Respondem, um consultório científico semanal patrocinado pela Fundação Dr. Antoni Esteve e pelo programa L’Oréal-Unesco ‘For Women in Science’, que responde às dúvidas dos leitores sobre ciência e tecnologia. As dúvidas são respondidas por cientistas e tecnólogas sócias da AMIT (Associação de Mulheres Pesquisadoras e Tecnólogas).

Coordenação e redação: Vitória Toro

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