Ex-deputado Roberto Jefferson é preso pela PF em investigação que apura milícias digitais

Mandado de prisão do presidente do PTB, aliado de Bolsonaro, ocorreu dentro do inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal que investiga a existência de associação criminosa digital para atentar contra a democracia

O ex-deputado Roberto Jefferson, em uma imagem de 2017.
O ex-deputado Roberto Jefferson, em uma imagem de 2017.Valter Campanato / Agência Brasil
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A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira o ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson. O mandado de prisão preventiva foi autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e faz parte do inquérito que apura a suposta ação de milícias digitais no país. A prisão ocorreu no município fluminense de Levy Gasparian, a cerca de 140 quilômetros do Rio de Janeiro.

A ordem do Supremo também determinou o bloqueio de conteúdos publicados pelo ex-deputado e aliado do presidente Jair Bolsonaro, em redes sociais e a apreensão de armas, munições e mídias de armazenamento de informações, como computadores, celulares e tablets. Moraes também ordenou o bloqueio da conta de Jefferson no Twitter.

O inquérito das milícias digitais, aberto em julho, é uma continuidade das investigações dos atos antidemocráticos, que apura a existência de uma ordem criminosa que estaria agindo contra o Estado democrático de direito. A organização seria dividida em núcleos, como o de produção de conteúdo, publicação em redes sociais, financiamento e político. A PF também trabalha com a hipótese de que o grupo tenha recebido verba pública para se financiar.

Assessores da presidência, que fariam parte do chamado “gabinete do ódio”, que seria encarregado de promover ataques virtuais a desafetos do presidente e de seus filhos, também estão na mira das investigações.

O ex-deputado Roberto Jefferson tem publicado em suas redes sociais fotos com armas, na esteira da aproximação ao presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, que defendem o armamento da população. Ainda nas redes, Jefferson tem defendido o voto impresso, uma das principais pautas de Bolsonaro neste momento, e atacado os ministros do Supremo. Em uma entrevista a um canal no Youtube no ano passado, o ex-deputado chegou a defender que os ministros da corte são “lobistas” e “malandros” e deveriam ser julgados “na bala”, caso defendessem o que ele classificou como “ideologia de gênero. “Nós temos que entrar lá e colocar para fora na bala, no pescoção, no chute na bunda, aqueles 11 malandros que se fantasiaram de ministros do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

Roberto Jefferson segura uma arma em foto publicada em sua conta no Instagram.
Roberto Jefferson segura uma arma em foto publicada em sua conta no Instagram.

Em 2005, o ex-deputado ganhou os holofotes ao denunciar, em uma entrevista à Folha de S. Paulo, o esquema do mensalão, em que o Governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva repassava dinheiro a deputados da base. Naquele mesmo ano, Jefferson teve o mandato cassado por ter mentido, acusando outros deputados sem provas.

Sete anos mais tarde, em 2012, ele foi condenado no julgamento do mensalão, a 7 anos de prisão, por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

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