EUA matam o poderoso general iraniano Soleimani em um ataque no aeroporto de Bagdá

Tensão máxima no Oriente Médio após a confirmação do Pentágono do atentado que terminou com a vida de um dos homens fortes do aiatolá Khamenei, que promete vingança

O General Qassem Soleimani em uma foto de arquivo de 2016
O General Qassem Soleimani em uma foto de arquivo de 2016Ebrahim Noroozi / AP
Pablo Guimón|Agências
Washington / Bagdá - 03 Jan 2020 - 12:01 -02

O poderoso general iraniano Qasem Soleimani, comandante da força de elite Quds da Guarda Revolucionária, morreu nas primeiras horas desta sexta-feira, 3 de janeiro, em um bombardeio no aeroporto da capital iraquiana realizado pelo Exército dos Estados Unidos. O ataque ao aeroporto de Bagdá seguia ordens do presidente dos EUA, Donald Trump, como confirmado pelo Pentágono. Pouco antes da confirmação, a televisão oficial iraquiana havia anunciado a morte do general Soleimani, bem como a de Abu Mehdi al Muhandis, o número dois das Forças de Mobilização Popular pró-Irã (Hashd al Shaabi), "em um bombardeio nos EUA". Cinco outras pessoas morreram no ataque, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

Trump tuitou, minutos antes do Pentágono divulgar uma declaração, uma bandeira americana sem texto. "Os iraquianos estão dançando nas ruas pela liberdade; gratos que o general Soleimani não esteja mais lá", postou no Twitter o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, cuja publicação acompanhou um vídeo supostamente gravado no Iraque.

"O general Soleimani estava desenvolvendo ativamente planos para atacar diplomatas norte-americanos e militares no Iraque e em toda a região", justificou o Pentágono no comunicado, acusando o general iraniano e suas forças Quds da "morte de centenas de norte-americanos e membros da coalizão" e de "ferir milhares mais". Soleimani estava encarregado das operações fora do Irã dos Guardiões da Revolução e esteve presente na Síria e no Iraque, supervisionando as milícias apoiadas por Teerã nos dois países árabes.

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O ataque faz temer represálias de Teerã e redobrou a já alta tensão entre o Irã e os Estados Unidos no Iraque, onde na terça-feira passada dezenas de manifestantes pró-iranianos atacaram a embaixada dos EUA. A multidão quebrou o muro externo ao grito de "Morte aos Estados Unidos!". Em resposta à ofensiva realizada pelas forças norte-americanas no domingo passado, que deixou pelo menos 25 mortos em cinco atentados na fronteira entre Iraque e Síria. contra posições das Brigadas do Hezbollah, em retaliação pela morte de um empreiteiro americano na sexta-feira passada, em outro ataque pelo qual Washington acusa a milícia pró-iraniana. Nesta sexta-feira, a embaixada dos EUA em Bagdá recomendou que seus cidadãos "deixassem o país imediatamente". O primeiro ministro do Iraque denunciou a morte de Soleimani como uma "agressão" dos Estados Unidos.

Em comunicado divulgado pela mídia oficial persa, a mais alta autoridade no Irã, o aiatolá Ali Khamenei, culpou as "pessoas mais cruéis do mundo" pelo assassinato do comandante "honrado", que "lutou bravamente por anos contra males e bandidos do mundo". "Sua morte não interromperá sua missão, mas criminosos que mancharam as mãos com o sangue do general Soleimani e de outros mártires devem esperar uma vingança", acrescentou o líder, que declarou três dias de luto no país. O Irã também convocou na sexta-feira um chefe da embaixada suíça, que representa os interesses dos Estados Unidos em Teerã na ausência de relações diplomáticas entre os dois países.

O preço do barril de Brent para entrega em março registra nesta sexta-feira no mercado londrino cerca de 61 euros (273 reais), 2,90% a mais do que no final do dia anterior, com medo de problemas no fornecimento de petróleo pelo ataque, de acordo com analistas.

Soleimani, que é frequentemente comparado a Karla, o mentor de espionagem soviético dos romances de Le Carré, era considerado um dos homens mais próximos do aiatolá Ali Khamenei e o mais poderoso da estrutura militar iraniana. Segundo fontes militares citadas pela Associated Press, Soleimani e Mohammed Ridha Jabri, relações públicas das Forças de Mobilização Popular, acabavam de desembarcar em um avião da Síria ou do Líbano. Eles foram recebidos por dois veículos, em um dos quais Al Muhandis estava viajando, que saíram para recebê-los. O ataque, segundo fontes militares citadas pelo The New York Times, ocorreu quando eles deixaram o aeroporto a bordo dos dois carros.

Nesta quinta-feira à tarde, um dia após os protestos se dispersarem diante da embaixada em Bagdá,, o secretário de Defesa Mark Esper alertou que os militares dos EUA atacariam "preventivamente" as forças pró-iranianas no Iraque e na Síria se detectassem sinais de que as milícias planejavam mais ataques contra os interesses dos Estados Unidos na região. Horas antes da ação que matou Soleimani, houve outro ataque com três mísseis no mesmo aeroporto que não causou mortes ou feridos.

Em abril do ano passado, os Estados Unidos incluíram em sua lista de organizações terroristas a Guarda Revolucionária Iraniana, cuja força Quds foi liderada por Soleimani. O Pentágono, no comunicado anunciando o ataque, diz que o general abatido "orquestrou ataques às bases de coalizões no Iraque nos últimos meses, incluindo sexta-feira, 27 de dezembro", referindo-se à ação que ele matou um empreiteiro norte-americano e iniciou essa nova espiral de tensões, que com o ataque desta noite alcançou novos patamares.

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