EL PAÍS Brasil, uma conexão americana

Conectar a realidade brasileira com a América Latina e a correspondente viagem de volta é um dos desafios da edição brasileira no jornal

O jornalista Javier Lafuente.
O jornalista Javier Lafuente.

Já faz um mundo de tempo, embora só tenham se passado dois anos, que em outubro de 2018 Jair Bolsonaro foi eleito presidente do maior país da América Latina. Quem escreve isto teve a sorte de poder viajar do outro extremo da região, o México, ao Brasil para acompanhar a cobertura eleitoral. Um presente para qualquer jornalista, não só pela relevância que teve a eleição no desenvolvimento do país, mas por permitir conhecer em primeira mão o trabalho de uma imensa equipe. Além de poder reforçar a cobertura em espanhol ―Naiara Galarraga, hoje brilhante correspondente, estava aterrissando naquela época―, o objetivo era poder ter uma melhor conexão, não com a Redação de Madri, e sim com a da América. Vocês verão por quê.

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Não se pode entender o EL PAÍS Brasil ―nem agora o EL PAÍS México― sem o EL PAÍS América, uma rede de quase 70 jornalistas, com Redações em Washington, Cidade do México (onde se encontra o escritório central), Bogotá, Buenos Aires e São Paulo, e colaboradores em quase todos os países da região. Um projeto que cresceu na última década, mas que está na gênese do jornal. Como recordava recentemente o diretor Javier Moreno, desde sua fundação o jornal acolheu intelectuais, escritores, artistas e políticos da região que escolheram suas páginas para transmitir suas ideias, defender seus projetos e conectar suas inquietações com o resto do mundo. “O jornal, por sua vez, ocupou-se em profundidade das sociedades, tanto de suas inquietações como de suas batalhas por consolidar os avanços econômicos, sociais e das liberdades democráticas”.

Sempre haverá quem se escude no clichê, às vezes de brincadeira, mas quase sempre com má-fé, de que o Brasil não se sente parte da América Latina. Pior ainda, que por falar outro idioma que não é o espanhol, não seria latino-americano. A cobertura de minhas colegas ―a maioria da Redação de São Paulo, com Carla Jiménez à frente, é de mulheres― é um claro exemplo de que esse clichê cai por seu próprio peso. É assim graças ao enorme esforço de cobertura jornalística de uma jovem e ambiciosa equipe que elabora uma informação cada vez mais global, com as análises necessárias para poder compreender seu país e que este se entenda além de suas fronteiras, com a busca das personalidades mais importantes em cada ramo.

Conectar a realidade brasileira com a América Latina e a correspondente viagem de volta é um dos desafios que enfrentamos diariamente todos os que estamos imersos neste projeto. Um desafio com mil complexidades que, nem por isso, ou talvez por isso mesmo, é extremamente gratificante. Ninguém, portanto, se surpreende mais com a quantidade de informação que se pode ler em espanhol sobre o Brasil, apesar de nem todas as redatoras serem falantes do espanhol, nem com poder acessar em português os últimos acontecimentos da Venezuela ou se informar sobre como a pandemia está golpeando o México. Tudo mediante um processo de linda edição e contextualização, de colaboração afinal de contas, na qual se veem imersos diariamente mais jornalistas de todo o continente.

O EL PAÍS Brasil não é somente a edição em português do principal jornal em espanhol. Milhões de brasileiros se informam sobre seu país através do site que, a partir de agora, dá um passo a mais no modelo de assinatura digital. O EL PAÍS Brasil é também um espelho onde nos olhamos todos os colegas que trabalhamos deste lado do Atlântico. Quando o jornal lançou sua edição mexicana, em 1º de julho deste ano, tivemos sempre claro que nossa referência estava milhares de quilômetros, mas não a leste, como se poderia pressupor, e sim ao sul, com esse olhar global e americano que é capaz de conectar um país e uma região.

Javier Lafuente é correspondente e chefe da redação do EL PAÍS no México.

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