Tabagismo

EUA apontam o acetato de vitamina E como causa da morte de 39 fumantes de cigarros eletrônicos

Estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças identifica o composto em dezenas de pacientes

Homem fuma um cigarro eletrônico em Chicago.
Homem fuma um cigarro eletrônico em Chicago.AP

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Nos últimos meses nos Estados Unidos, 39 fumantes de cigarros eletrônicos morreram e outros 2.051 foram hospitalizados com graves danos pulmonares. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, órgão de referência dos EUA para a saúde pública) aponta agora pela primeira vez, após um estudo, a possível causa do surto: o acetato de vitamina E. As centenas de pesquisadores mobilizadas em todo o território norte-americano que procuram uma explicação para as mortes ainda não sabem como o produto químico danifica os pulmões, mas agora acreditam que “estão muito mais próximos de identificar o culpado”.

“Detectamos uma substância química potencialmente preocupante, o acetato de vitamina E, extraído de amostras biológicas de pacientes com danos pulmonares”, afirmou Anne Schuchat, subdiretora dos CDC. Os pesquisadores identificaram a mesma substância em uma análise realizada em 29 pacientes, incluindo dois mortos, após exames de amostras do líquido pulmonar.

Os resultados mostraram que todos os pacientes tinham acetato de vitamina E, enquanto o tetraidrocanabinol (THC) – princípio ativo responsável pelos efeitos psicotrópicos da maconha – foi encontrado em 4 de cada 5 pacientes, e a nicotina, em 62%.

O acetato de vitamina E – um produto químico de textura pegajosa e oleosa, que ao ser inalado se adere ao tecido pulmonar – é utilizado como componente para a fabricação de produtos de vaporização ilegais que contêm THC.

“As últimas descobertas nacionais e estaduais sugerem que os produtos que contêm THC, especialmente os procedentes de amigos e familiares, e adquiridos na Internet, estão ligados à maioria dos casos estudados e têm papel importante no surto”, aponta o relatório. Por isso, a agência federal recomenda não usar produtos para vaporização à base de THC, independentemente de onde tenham sido comprados.

Os quase 30 pacientes que se submeteram ao estudo vinham de dez Estados diferentes, de modo que é pouco provável que tenham sido vítimas de um só produto e fornecedor de vaporização. Durante uma entrevista coletiva realizada na sexta-feira, Schuchat explicou que continua aberta a possibilidade de que outras substâncias químicas e toxinas dos fluidos e dispositivos de vaporização possam estar causando as graves doenças respiratórias. “A tendência nos casos parece ser de diminuição, mas entendemos que alguns Estados continuam muito afetados, e essa continua sendo uma pesquisa muito ativa”, afirmou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira que nesta semana será feito um anúncio relacionado aos cigarros eletrônicos, que incluirá uma proposta que aumenta, de 18 a 21 anos, o limite de idade para comprar esses produtos. A lei federal é igual para os dois tipos de cigarros – tradicionais e eletrônicos –, mas aproximadamente um terço dos territórios aumentou a idade mínima para 21 anos.

Um dia antes, o Juul Labs, principal vendedor de cigarros eletrônicos, anunciou que suspenderá as vendas de seus produtos com sabor de menta, após as últimas pesquisas nacionais sobre consumo revelarem que eles são os favoritos dos jovens. De acordo com a pesquisa anual do CDC, no ano passado os estudantes de colégios que consumiram algum produto relacionado ao tabaco aumentaram 38%, número que cresce principalmente pelos vaporizadores.

Substância é proibida na Europa

P. L.

O acetato de vitamina E não é permitido nos líquidos para vaporizadores vendidos na Europa. Segundo Arturo Ribes, presidente da União de Promotores e Empresários da Vaporização (UPEV), a UE “está mais avançada do que os Estados Unidos na regulamentação desses produtos”. A lei sobre os produtos de tabaco foi aprovada em 2014 e estabelece que os líquidos utilizados devem ser apresentados à Comissão Europeia com a análise toxicológica de cada ingrediente. “Os que excedem os valores máximos de segurança são proibidos imediatamente e o acetato de vitamina E por inalação aparece como tóxico”, diz Ribes, que acha que não é uma substância abundante no mercado negro europeu: “Teríamos detectado sua presença, mas não ocorreram problemas”.

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