Barcelona tenta selar a volta de Neymar

O time azul-grená e o brasileiro querem caminhar juntos de novo, mas a negociação com o PSG é muito complexa. Essa opção não descarta a chegada de Griezmann

Neymar cumprimenta Filipe Luís em sua visita à seleção.
Neymar cumprimenta Filipe Luís em sua visita à seleção.LUCAS FIGUEIREDO (AFP)

As relações do Barcelona com o PSG pioraram com o tempo, sobretudo depois da chegada do poderoso emir catariano Tamim bin Hamad Al-Thani, que não precisa de dinheiro para fazer o seu clube jogar e vencer em âmbito nacional. O xeque já advertiu ao ex-presidente azul-grená Sandro Rosell, em 2014, que não jogava com eles, entre outras coisas, porque o Barça era patrocinado na época pela empresa governamental Sport Qatar Investments, que desembolsava 32 milhões de euros (138 milhões de reais) por temporada. Depois vieram as discussões por Thiago, Marquinhos e até Di María, jogadores almejados pelo Camp Nou que foram proibidos porque o Paris Saint-Germain decidiu desse modo, sem deixar opção para negociar. Inclusive foi doloroso para o clube — porque desfigurou uma equipe montada — o pagamento dos 222 milhões de euros da cláusula de Neymar, por mais que a quantia regenerasse um cofre carcomido. Mas o ciclo do atacante poderia ser concluído três anos mais tarde.

Neymar, de 27 anos, está disposto a voltar ao Camp Nou, assim como o Barcelona está disposto a recebê-lo de braços abertos. Assim foi dito ao xeque, e assim foi comunicado ao Barcelona. Na Cidade Esportiva Joan Gamper, porém, o clima é mais cético. Os dirigentes entendem que será uma operação complicada, pois o PSG atua de forma ilógica com uma mentalidade, filosofia e cultura que não casam com a deles: é um clube que hesita em negociar e propenso a mostrar seu poder econômico.

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Mas a transferência de Neymar caminha de fato. O presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, está cansado do comportamento mimado do brasileiro, às vezes mais preocupado com seu descanso que com seu esforço, e em outras incontrolável, como mostrou após perder a final da Copa da França – quando agrediu um torcedor que o criticava, a caminho de receber a medalha. “Preciso que Neymar me mostre que quer se envolver totalmente aqui. Assim como os demais. Ninguém o obrigou a assinar conosco. Ninguém o levou a fazer isso. Veio sabendo perfeitamente qual era o projeto”, expressou Al-Khelaifi a L’Equipe. Essas declarações aceleraram a vontade do jogador de ir embora. Ele deseja emigrar de Paris porque nunca encontrou lá a felicidade que teve em Barcelona.

“Todo o seu entorno ativou a maquinaria para ele sair do PSG e fez com que os clubes mais poderosos soubessem disso”, dizem fontes do Camp Nou. Entre eles o Barcelona, porque é a prioridade do jogador. Já não há grande rispidez entre ele e o time, que sabe que a sua volta faria também desaparecer as denúncias de ambas as partes que continuam na Justiça. O Barça exige de Neymar 8,5 milhões de euros (36,5 milhões de reais) por não cumprir o contrato. Já o jogador reivindica a segunda parte do prêmio de renovação que, por contrato, ele tinha direito de receber quando abandonou o clube azul-grená.

Em teoria, o acordo entre o time e o atacante é simples por causa da convivência entre as partes. E já se sabe que o desfecho seria positivo, mas o Barcelona aguarda o valor que o PSG pedirá por ele, pois não sabe se incluirá outros jogadores, como Coutinho, que agrada o técnico Tuchel, ou se quer apenas uma compensação econômica. “Estamos aguardando”, admitem altos dirigentes do Barcelona. Mas Neymar não reduziria muito o que ganha — cerca de 30 milhões de euros (129 milhões de reais) líquidos por ano —, e com isso o Barcelona se veria obrigado a diminuir também os salários dos demais. Fontes do Barça dizem que, se houver acerto, buscariam fórmulas para realizar o pagamento, seja com patrocínios ou com alguma operação de transferência de um jogador. Por isso, a chegada de Neymar seria uma alegria para o vestiário porque é o jogador que Messi prefere ter ao lado e porque, segundo as mesmas fontes, ele duplica o poder ofensivo da equipe. Não foi assim com Griezmann.

Divisão sobre Griezmann

Quando os jogadores foram questionados sobre a possibilidade de incorporar o francês há alguns meses, época em que o clube e o atacante chegaram a um novo pré-acordo — o da temporada passada frustrou-se com o documentário La Decisión (a decisão), realizado pela Kosmos, produtora de Piqué —, dois dos atletas mais importantes do vestiário rechaçaram a opção porque preferiam Neymar e porque não tinham gostado da forma como Griezmann agiu. Os demais jogadores não se pronunciaram, embora se saiba que Umtiti e Lenglet, por exemplo, têm esperança sobre a vinda de seu compatriota e companheiro de seleção. Até mesmo os pesos-pesados que o descartaram num primeiro momento já reconheceram que serão mais fortes com ele e com Neymar.

“Antoine não está descartado”, anunciam fontes do clube. “Sempre dissemos que é um jogador interessante e que contribuiria muito com o time porque pode atuar em várias posições de ataque. E, embora seja improvável, por que não poderíamos tentar ter os dois no ano que vem?” Resta aguardar para saber como a situação será resolvida. Mas o Barça não tem pressa: quer Neymar e Griezmann no elenco. E está convencido de que pelo menos um dos dois vestirá a camiseta azul-grená na próxima temporada.

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