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Blecaute em larga escala deixa Argentina e Uruguai sem luz

No Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que a situação está sendo monitorada desde cedo e que até o momento não há registros de falta de luz no país

corte de luz argentina
Captura de televisão da cidade de Buenos Aires às escuras. Getty Images

A Argentina amanheceu às escuras. Um blecaute em larga escala deixou sem eletricidade, a partir das sete da manhã deste domingo, todo o país e boa parte do Uruguai. As empresas energéticas argentinas também informaram que algumas cidades do Chile e do sul do Brasil ficaram sem luz. Porém, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) garantiu que a situação está sendo monitorada desde cedo e que até o momento não há registros de falta de luz no Brasil, informa Carla Jiménez. As autoridades ainda não encontraram explicações para o apagão. A Edesur, empresa distribuidora de energia para o sul da cidade de Buenos Aires, disse que a culpa foi de "uma falha massiva no sistema de interconexão elétrica". A Edenor, que distribui energia para o norte da capital, também falou de uma falha massiva, mas assinalou que “no momento se desconhecem as causas”. “Em três horas o serviço elétrico poderia começar a ser paulatinamente restabelecido”, informou a Edenor em um comunicado. Três horas depois do corte, as distribuidoras informaram que pouco a pouco o serviço tendia a se normalizar, mas ainda demoraria “várias horas” para se recuperar.

O corte de eletricidade também deixou centenas de milhares de pessoas sem água encanada. A Aysa, empresa pública de abastecimento que atende a capital argentina e 26 distritos vizinhos, onde vivem no total 14 milhões de pessoas, alertou que seus sistemas de bombas estão sem energia e pediu que seus clientes “façam um uso racional do fornecimento”. “Devido a esta falha elétrica, pode haver baixa pressão e/ou falta de água em alguns bairros da cidade e em distritos da província de Buenos Aires”, afirmou a empresa em um comunicado à imprensa.

Os argentinos celebram hoje o dia dos pais, data em que as famílias se reúnem em casa ou saem para comer fora. Em Buenos Aires, além disso, chove há uma semana.

O corte de energia ocorreu pouco depois das 7h06 deste domingo (pelo horário de Buenos Aires e de Brasília), quando ainda não havia amanhecido. O blecaute afeta também as províncias argentinas da Santa Fé, San Luis, Formosa e Terra do Fogo, que se preparavam para iniciar eleições locais. Apesar do apagão, a votação começou sem maiores problemas, porque o sistema eleitoral argentino se baseia em cédulas de papel, sem necessidade de computadores. Se o corte elétrico se prolongar, pode haver inconvenientes no fechamento das mesas eleitorais, pela impossibilidade de enviar informações por rede às centrais de apuração.

Dezenas de vídeos e fotos do blecaute circulam no Twitter. Um repórter da rádio Cadena 3 na província de Córdoba mostrou como alguns comércios com gerador próprio ainda têm luz, mas postos de gasolina e semáforos não funcionam. Não é uma surpresa que algumas lojas tenham gerador. A Argentina acumula anos de crise energética e os cortes de eletricidade são comuns no verão, quando o uso de aparelhos de ar condicionado sobrecarrega o sistema nacional.

Daniel Russo, porta-voz da Defesa Civil argentina, disse que no momento não se sabe a origem da falha, mas assinalou que o norte do país foi bastante afetado. “Espera-se que em seis ou oito horas seja restabelecida parte do serviço”, afirmou Russo. No sábado ocorreu um tremor de 4,8 graus no norte da Argentina, mas no momento não se relaciona esse fato com o blecaute. Marcelo Cassín, gerente da empresa provincial de energia de Santa Fé, informou que em algumas cidades está voltando a luz.

A volta à normalidade será lenta. A porta-voz da Edesur, Laura Martinez, disse que “voltar a pôr toda a rede de alta tensão em funcionamento para depois passar à média e baixa tensão é uma contingência que vai deixar os argentinos por mais algumas horas sem energia elétrica”. “A recuperação ocorrerá de maneira gradativa, para não provocar danos maiores”, disse Martínez à rádio Mitre. “É preciso colocar o sistema em condição e isso exige manobras paulatinas”, acrescentou.

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