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Rejeitado por museu, prefeito e patrocinadores, Bolsonaro desiste de viagem a Nova York

Presidente participaria de um jantar de gala em sua homenagem promovido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA. Banco do Brasil iria fazer aporte

F. B.
Jair Bolsonaro, durante cerimônia no palácio do Itamaraty, nesta sexta.
Jair Bolsonaro, durante cerimônia no palácio do Itamaraty, nesta sexta. ADRIANO MACHADO (REUTERS)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) cancelou sua ida a Nova York para participar de um jantar de gala promovido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA em sua homenagem no dia 14 de maio, segundo confirmou o porta-voz da presidência Otávio Santana do Rêgo Barros. O ultraconservador foi escolhido Personalidade do Ano de 2019, mas sua ida enfrentou uma série de resistências. A primeira foi do Museu de História Natural, que se recusou a sediar o evento após a pressão de ativistas, de políticos e da sociedade civil norte-americana.

A pressão se dirigiu então aos patrocinadores e ao hotel New York Marriott Maquis, que concordou em receber a cerimônia. O senador democrata Brad Hoylman, representante da comunidade LGBTQ, criou um abaixo assinado pedindo pelo cancelamento do evento e mandou uma carta para o hotel pedindo a mesma coisa. "Normalizar um presidente anti-LGBTQ que quer ativamente causar danos - e inclusive matar - a população LGBTQ não reflete os valores de Nova York. Ponto", disse em um tuíte.

A campanha contra Bolsonaro foi referendada pelo prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, que em uma entrevista em abril a uma rádio chamou Bolsonaro de racista, homofóbico e destrutivo. Disse também que o presidente não era bem-vindo na cidade.

A pressão fez com a companhia aérea Delta, a consultoria Bain & Company e o jornal Financial Times retirassem o patrocínio da festa. Em entrevista a CNN, a consultoria disse que a decisão se baseou no princípio "essencial" de "celebrar a diversidade" da empresa. Segundo revelou o jornal Folha de S. Paulo, o Banco do Brasil havia concordado em pagar mais de 47.000 reais para ter uma mesa com 10 lugares no jantar de gala. O consulado-geral do Brasil em Nova York concordou em ajudar a financiar a cerimônia, que tem por objetivo arrecadar fundos para fazer lobby para empresas brasileiras e americanas nos EUA. Entre os patrocinadores também estão bancos como os brasileiros Itaú e Bradesco, além da Merrill Lynch, Credit Suisse, Morgan Stanley, Citigroup e HSBC.

Contudo, a pressão de grupos de ativistas, principalmente os ligados às causas LGTBQ e ambientais, que prometiam realizar atos diários até o dia 14 para constranger os patrocinadores, foi mais forte. "Em face da resistência e dos ataques deliberados do prefeito de Nova York e da pressão de grupos de interesses sobre as instituições que organizam, patrocinam e acolhem em suas instalações o evento anualmente, ficou caracterizada a ideologização da atividade", disse Rego Barros na nota. "Em função disso, e consultados vários setores do governo, o presidente Bolsonaro decidiu pelo cancelamento da ida a essa cerimônia e da agenda prevista para Miami", acrescentou o porta-voz, em referência a viagem que faria até a Flórida no dia seguinte para se encontrar com parlamentares republicanos, entre eles o senador Marco Rubio, um dos principais opositores norte-americanos ao regime de Nicolás Maduro.

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