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Acionistas da Embraer aprovam acordo com Boeing e fusão pode ser firmada neste ano

Ações da fabricante brasileira chegam a subir 4% após confirmação de que gigante assumirá seu controle

Funcionários da Embraer protestam contra a venda da companhia em São José dos Campos nesta terça-feira.
Funcionários da Embraer protestam contra a venda da companhia em São José dos Campos nesta terça-feira. REUTERS

Os acionistas da Embraer aprovaram nesta terça-feira o acordo com a Boeing que prevê a formação de um novo grupo para a fabricação de aviões de até 150 lugares sob controle do gigante norte-americano. A decisão foi acatada por 96,8% dos acionistas que participaram de uma assembleia geral extraordinária na sede da empresa em São Paulo. Os votantes representavam 67% dos titulares das ações circulantes da Embraer, segundo nota divulgada pela empresa, terceiro maior fabricante de aviões do mundo.

Os acionistas aprovaram também a criação de outro grupo conjunto para desenvolver e promover o cargueiro militar KC-390. Depois da decisão, as ações da Embraer na Bovespa chegaram a subir mais de 4% — pouco antes do meio-dia já moderavam esse movimento, registrando alta de 2,63%, e acabaram fechando com valorização de 1,55%.

Essa era uma das últimas etapas pendentes antes da materialização da fusão, que poderá ser concretizada ainda neste ano, apesar do protesto de alguns funcionários, que temem por demissões e se reuniram em protesto nesta terça-feira em São José dos Campos. Ainda é preciso receber o aval das autoridades antitruste do Brasil e dos Estados Unidos, bem como da União Europeia e China, onde ambas as empresas têm negócios. O pacto prevê que a Boeing assuma o controle das atividades civis da Embraer por um valor de 4,2 bilhões de dólares (15,74 bilhões de reais), o que lhe permitirá controlar 80% do capital do novo grupo. Os 20% restantes ficarão nas mãos da empresa brasileira.

As duas companhias formarão ainda outro grupo para comercializar o cargueiro KC-390 da Embraer, no qual a empresa brasileira terá 51% de capital, e a Boeing os outros 49%. O negócio de aviões militares e de aviação executiva da Embraer foi excluído do acordo.

O protocolo de acordo Boeing-Embraer foi anunciado em julho do ano passado, poucos dias depois da aliança selada entre a europeia Airbus e a canadense Bombardier para fabricar os aviões de médio alcance C Series, concorrentes dos aparelhos da Embraer.

A Embraer foi criada como estatal em 1969 e privatizada em 1994, embora o Governo federal tenha mantido seu poder de veto sobre as decisões empresariais. O acordo com a Boeing foi finalmente assinado em 25 de janeiro, depois do aval do novo presidente da República, Jair Bolsonaro.

Com um volume de negócios de seis bilhões de dólares e 16.000 funcionários, a Embraer é uma das joias industriais do Brasil, com uma gama de aviões civis, militares e de jatos executivos.

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